A brasileira Michaela Fregonese entrou para a história do esporte ao estabelecer um novo recorde de onda surfada no país. A atleta encarou uma onda de 12,25 metros na Laje da Jagua, em Jaguaruna (SC), e registrou a maior já surfada por uma mulher no Brasil.
O feito aconteceu durante um swell histórico provocado após a passagem de um ciclone pelo Sul do país, condição que colocou novamente a chamada “Nazaré Brasileira” no radar internacional do surfe de ondas gigantes.
Mais do que um recorde esportivo, a conquista projeta o Brasil em uma modalidade dominada por poucos países e amplia a presença feminina em um dos esportes mais extremos do mundo.
Natural de Curitiba, Michaela vive uma das fases mais importantes da carreira. Em 2025, venceu o Big Wave Challenge, na Califórnia, além de conquistar os prêmios de Onda do Ano e Maior Onda do Ano na competição.
A marca histórica fortalece a presença brasileira no circuito mundial de ondas grandes e amplia a visibilidade internacional da atleta em um cenário de crescente profissionalização do surfe extremo.
Recorde de onda surfada: “Nazaré Brasileira” volta ao radar das ondas gigantes
A Laje da Jagua já vinha chamando atenção de atletas especializados em surfe de ondas gigantes por causa das características oceânicas favoráveis à formação de swells extremos. Após a passagem do ciclone no Sul do país, as condições do mar atraíram equipes de diferentes regiões do Brasil.
Conhecida entre surfistas como “Nazaré Brasileira”, a bancada catarinense ganhou esse apelido pela capacidade de formar ondas de grande porte em condições oceânicas específicas, fenômeno que lembra Nazaré, em Portugal, destino reconhecido mundialmente pelas maiores ondas do planeta.
O Brasil já possui tradição no circuito de ondas gigantes com nomes como Maya Gabeira e Rodrigo Koxa, atletas ligados a recordes internacionais da modalidade. O novo feito de Michaela reforça a presença brasileira nesse cenário.
Ondas gigantes no Sul do Brasil costumam surgir após ciclones em alto mar, responsáveis pela formação de swells que percorrem longas distâncias até encontrar áreas costeiras favoráveis à amplificação das ondas.
Ao acompanhar as previsões marítimas, Michaela entrou em contato com os Jagua Boys, grupo local especializado em ondas grandes, e decidiu viajar para Jaguaruna.
A sessão aconteceu em formato tow-in, modalidade em que o surfista é impulsionado por uma moto aquática para acessar ondas gigantes praticamente impossíveis de alcançar apenas remando.
Hoje, o surfe de ondas gigantes depende de previsão oceânica, leitura climática e estratégia técnica para identificar condições seguras e competitivas.
Logo na primeira descida do dia, Michaela encarou a onda que acabaria consolidando o recorde feminino no surfe brasileiro.
“Foi a minha primeira onda no dia. Quando vi as imagens depois, fiquei impressionada com o tamanho e com a dificuldade dela”, afirmou a surfista.
Ciência ajudou a validar a maior onda surfada por uma brasileira
O recorde em ondas gigantes alcançado por Michaela também passou por análise técnica especializada. As imagens da sessão foram avaliadas pelo oceanógrafo Douglas Nemes, especialista em dinâmica oceânica e ondas grandes.
A validação levou em consideração cálculos de altura de quebra, posicionamento angular da surfista, referências proporcionais de escala e comparação espacial entre os elementos registrados nas imagens.
O resultado oficial confirmou a marca de 12,25 metros de face, com margem mínima de variação.
A participação da oceanografia nesse tipo de validação mostra como ciência e esporte passaram a caminhar juntos no universo das ondas gigantes. Previsão climática, análise marítima e monitoramento das correntes influenciam diretamente segurança, desempenho e reconhecimento oficial dos recordes.
Essa profissionalização fortalece a credibilidade do Brasil no circuito mundial de ondas grandes e amplia o reconhecimento da modalidade no país.
O avanço das mulheres no surfe de alta performance
A maior marca do surfe feminino brasileiro acontece em um momento de crescimento da participação das mulheres no surfe de ondas gigantes. Nos últimos anos, atletas passaram a ocupar espaço cada vez maior em competições internacionais e sessões históricas ao redor do mundo.
A conquista de Michaela reforça esse avanço ao mostrar que surfistas brasileiras também passaram a disputar protagonismo em cenários de alta complexidade técnica e física.
Além do impacto esportivo, o feito possui forte valor simbólico. A imagem de uma brasileira encarando uma onda de mais de 12 metros amplia a visibilidade do esporte feminino e ajuda a romper barreiras em modalidades tradicionalmente associadas ao universo masculino.
O efeito também alcança o mercado esportivo. Isso aumenta o interesse do público, fortalecem patrocínios e ampliam oportunidades para novas atletas no surfe de alta performance.
O que a façanha representa para Jaguaruna e para o Brasil
O recorde de onda surfada registrado em Jaguaruna reforça a imagem do litoral brasileiro em uma modalidade que vem atraindo cada vez mais atenção internacional.
Nos últimos anos, regiões conhecidas por ondas gigantes passaram a atrair investimentos, visitantes e produções audiovisuais ligadas ao esporte extremo.
Ao colocar a Laje da Jagua novamente em evidência, o feito ajuda a consolidar o litoral catarinense como referência no surfe de ondas grandes e amplia o potencial turístico da região fora da alta temporada.
O impacto vai além do esporte. Recordes desse porte ajudam a ampliar a visibilidade internacional de regiões costeiras, fortalecem o surfe feminino e criam novas referências para jovens atletas brasileiras interessadas em modalidades extremas.
A conquista de Michaela Fregonese também reforça uma mudança importante no esporte brasileiro: o país deixou de ser reconhecido apenas pelo surfe tradicional e passou a disputar espaço em uma das categorias mais técnicas da modalidade.