Nova pensão leva apoio financeiro a crianças que perderam a mãe para o feminicídio

A pensão para órfãos começou a ser analisada pelo INSS e garante um salário mínimo a crianças e adolescentes que perderam a mãe em casos de feminicídio, desde que cumpram os critérios previstos em lei.
Pensão para órfãos começa a avançar para famílias de vítimas de feminicídio.
A pensão para órfãos pode ser concedida antes da conclusão do processo criminal, desde que existam elementos que indiquem a ocorrência de feminicídio. (Foto: Gov.br)

Crianças e adolescentes que perderam a mãe em casos de feminicídio começaram a dar um passo para receber um novo apoio financeiro. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) iniciou, nesta terça-feira (21/07) a análise dos primeiros pedidos da pensão para os órfãos e prevê concluir essa etapa até o fim de julho.

O benefício garante um salário mínimo mensal, equivalente a R$ 1.621 em 2026, ao conjunto de filhos e dependentes menores de 18 anos que vivem em famílias de baixa renda. Quando houver mais de uma criança ou adolescente com direito, o valor será dividido igualmente entre eles.

Nos pedidos aprovados, o pagamento será retroativo à data em que a solicitação foi registrada. Assim, o direito ao benefício é preservado desde o momento em que o requerimento é apresentado ao INSS.

Quem pode receber a pensão para órfãos

Criada pela Lei nº 14.717, de 2023, a pensão para órfãos teve as regras para solicitação regulamentadas pelo INSS em maio de 2026. A partir dessa regulamentação, as famílias passaram a contar com um procedimento definido para requerer o benefício.

A família precisa estar inscrita no Cadastro Único (CadÚnico) e atender ao limite de renda previsto na legislação para solicitar o benefício. O requerimento é feito pelo responsável legal da criança ou do adolescente, que deve apresentar um pedido para cada beneficiário. A solicitação está disponível pelo aplicativo Meu INSS, pelo site da plataforma e também pela Central de Atendimento 135.

Entre os documentos exigidos estão a certidão de nascimento, o atestado de óbito da vítima e os registros da investigação que indiquem que a morte ocorreu em razão de feminicídio.

Benefício pode ser concedido antes do fim do processo

A pensão para órfãos não depende da conclusão definitiva do processo criminal. O INSS pode conceder o benefício quando documentos produzidos pela polícia, pelo Ministério Público ou pela Justiça apontarem que a morte ocorreu em razão de feminicídio.

Se, ao final da investigação ou do processo judicial, ficar comprovado que o crime não se enquadra nessa tipificação, o benefício poderá ser cancelado. Os valores pagos até essa decisão, porém, não precisarão ser devolvidos pela família.

Com a análise dos primeiros pedidos em andamento, a expectativa é que as famílias que preencherem os requisitos comecem a ter acesso ao benefício após a conclusão dessa etapa. Nos casos aprovados, o pagamento será feito de forma retroativa à data do requerimento, preservando o direito desde o momento da solicitação.

Documentos necessários para o cadastro da pensão

Durante o requerimento, a família deverá anexar os documentos pessoais do menor e as provas disponíveis sobre o crime. Entre os documentos exigidos estão:

  • CPF da criança ou do adolescente;
  • documento de identidade ou certidão de nascimento;
  • inscrição atualizada no CadÚnico;
  • documentos do representante legal;
  • comprovantes da relação de dependência, quando necessário;
  • documentos que indiquem a ocorrência de feminicídio.

O INSS aceita, por exemplo, auto de prisão em flagrante, decreto de prisão preventiva, portaria ou relatório do inquérito policial, denúncia apresentada pelo Ministério Público e decisão judicial que reconheça indícios de feminicídio.

O autor, coautor ou participante do crime não pode representar a criança nem administrar o dinheiro. A regra impede que o suspeito ou condenado tenha qualquer controle sobre o benefício destinado aos órfãos.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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