Italo Ferreira líder mundial da WSL voltou ao topo do surfe internacional em um momento que reforça a maior fase da história do Brazilian Storm. Após vencer, no domingo (24/05), a etapa da Nova Zelândia da World Surf League (WSL), disputada em Raglan, o potiguar assumiu a liderança da temporada 2026 e consolidou a força brasileira na elite da modalidade.
A vitória teve peso além do título. Ao derrotar o australiano Morgan Cibilic por 17.50 a 15.80 na decisão, Italo Ferreira virou o novo número 1 da WSL e colocou o Brasil em uma posição rara no esporte internacional: os quatro primeiros colocados do ranking masculino pertencem ao país.
Miguel Pupo aparece na vice-liderança , Gabriel Medina ocupa a terceira posição e Yago Dora fecha o top 4 da classificação da WSL. Nenhum outro país colocou quatro surfistas diferentes na liderança da WSL em apenas quatro etapas nesta temporada. Antes de Italo Ferreira assumir o topo da elite mundial do surfe, Yago Dora, Miguel Pupo e Gabriel Medina também vestiram a lycra amarela em 2026.
O cenário reforça uma transformação construída nos últimos anos, quando o Brasil deixou de ser apenas formador de talentos para assumir protagonismo técnico e competitivo no surfe profissional.
O protagonismo brasileiro também ampliou a visibilidade do surfe no país, fortaleceu eventos nacionais e aumentou o interesse de patrocinadores e do público pela modalidade. Etapas como a de Saquarema passaram a movimentar turismo, audiência e investimentos ligados ao esporte.
A liderança de Italo Ferreira também amplia uma dimensão simbólica importante para o esporte brasileiro. Natural de Baía Formosa, no Rio Grande do Norte, o campeão olímpico de Tóquio 2020 representa uma geração que ajudou a levar atletas fora do eixo tradicional do esporte ao topo do surfe mundial.
Depois de um início irregular em 2026, o brasileiro voltou a apresentar o repertório agressivo de manobras aéreas que o transformou em um dos surfistas mais decisivos da World Surf League. Até então, o melhor desempenho dele na temporada havia sido uma semifinal em Margaret River, na Austrália.
“Estou amarradão em ganhar esse campeonato em uma esquerda. Eu pensei desde o começo que essa seria a minha competição”, afirmou Italo após conquistar o 11º título da carreira em etapas do Championship Tour.
Italo Ferreira líder mundial da WSL: Brazilian Storm consolida hegemonia na elite do surfe mundial
O domínio brasileiro no ranking WSL 2026 não aparece como um movimento isolado. Desde 2014, surfistas do país conquistaram oito dos últimos 11 títulos mundiais da elite masculina. Nesse período, apenas o havaiano John John Florence conseguiu interromper a sequência brasileira no tour da WSL.
O atual cenário reforça a consistência competitiva do Brazilian Storm e mostra uma geração numerosa, técnica e adaptável em diferentes condições do circuito internacional.
Além dos quatro primeiros colocados, Samuel Pupo aparece na sétima posição e Filipe Toledo ocupa o décimo lugar no ranking mundial de surfe.
A força brasileira também chama atenção pela adaptação dos atletas em diferentes tipos de onda. A vitória de Italo em Raglan reforçou esse cenário porque aconteceu em uma esquerda técnica e tradicional da Nova Zelândia, conhecida por exigir leitura precisa de linha e velocidade.
O crescimento do surfe brasileiro também ampliou o peso comercial e esportivo das etapas nacionais dentro da WSL. Saquarema, por exemplo, virou uma das paradas mais populares da temporada internacional e deve ganhar ainda mais atenção neste ano diante da disputa entre brasileiros pela liderança do campeonato.
Vitória de Italo teve tensão após ataque de animal marinho
A campanha do brasileiro na Nova Zelândia também ficou marcada por um episódio de tensão durante a semifinal contra Yago Dora. A bateria precisou ser interrompida após um animal marinho atacar o fotógrafo australiano Ed Sloane dentro da água.
A organização retirou os atletas do mar com auxílio de um jet-ski, e a disputa permaneceu paralisada por cerca de quatro horas até a retomada da competição. No momento da interrupção, Yago vencia por 6.33 a 3.00.
Após o retorno, Italo Ferreira elevou o nível técnico da bateria e virou o confronto com uma sequência de manobras aéreas que garantiu notas decisivas para a vitória por 15.10 a 12.33.
A reação reforçou uma característica que acompanha a trajetória do campeão olímpico no circuito profissional: a capacidade de responder sob pressão em momentos decisivos.
Na final, o brasileiro repetiu o desempenho agressivo e encaixou combinações aéreas que renderam notas 9.33 e 8.17 para confirmar o título em Raglan.
Italo Ferreira líder mundial da WSL: Liderança mundial aumenta expectativa para etapa brasileira
Com Italo Ferreira líder mundial da WSL, o circuito agora seguirá para El Salvador, onde a próxima etapa será disputada entre os dias 5 e 15 de junho em Punta Roca.
Na sequência, o Championship Tour desembarca em Saquarema para a etapa brasileira entre 19 e 27 de junho. A competição deve reunir os principais nomes da elite do surfe e aumentar ainda mais o interesse do público brasileiro pela temporada.
A etapa brasileira também pode ampliar a disputa direta entre atletas do Brazilian Storm pela liderança do ranking, cenário que aumenta a atenção internacional sobre a corrida pelo título mundial de 2026.
Com quatro brasileiros nas primeiras posições da classificação, a temporada reforça que o país vive uma das fases mais dominantes já registradas no surfe profissional. O atual cenário também aumenta a expectativa para que o Brasil siga como principal potência da modalidade nos próximos anos.
Top 10 do ranking mundial após 4 etapas do CT
1 – Italo Ferreira (BRA)
2 – Miguel Pupo (BRA)
3 – Gabriel Medina (BRA)
4 –Yago Dora (BRA)
5 – George Pittar (AUS)
6 – Ethan Ewing (AUS)
7 – Samuel Pupo (BRA)
8 – Griffin Colapinto (EUA)
9 – Leonardo Fioravanti (ITA)
10 – Filipe Toledo (BRA)