Categoria Inovação

Ouro verde: árvores da Finlândia revelam ouro microscópico em descoberta inédita

Ouro verde revela nanopartículas de ouro em árvores da Finlândia. O fenômeno natural, ligado à biomineralização, pode indicar depósitos minerais no subsolo e abrir caminhos para uma mineração mais sustentável.

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Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Oulu, na Finlândia, revelou um fenômeno que conecta ciência ambiental, biologia e geologia. Batizada de ouro verde, a descoberta mostra que árvores das florestas boreais conseguem formar nanopartículas microscópicas de ouro em seus tecidos internos. Embora invisível a olho nu, o achado abre novas possibilidades para compreender como a natureza movimenta elementos químicos de forma sustentável.

O ouro verde foi identificado no interior das agulhas do abeto-norueguês, espécie comum no norte da Finlândia. Segundo os pesquisadores, o fenômeno ocorre por meio da biomineralização, um processo natural no qual microrganismos transformam minerais dissolvidos no solo em partículas sólidas dentro dos tecidos vegetais.

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Além disso, pequenas bactérias que vivem no interior da árvore exercem papel fundamental nessa transformação. Por isso, o estudo descarta contaminação externa por poeira ou poluição. O ouro se forma a partir da interação direta entre solo, microrganismos e planta.

Ouro verde próximo à mina de Kittilä

O ouro verde apareceu em amostras coletadas nas proximidades da mina de Kittilä, localizada na Lapônia e considerada uma das maiores operações de extração de ouro da Europa. Apesar disso, os pesquisadores observaram o fenômeno em apenas quatro das 138 amostras analisadas, o que reforça seu caráter raro.

Embora as partículas sejam microscópicas e não tenham valor econômico direto, a descoberta comprova que as árvores conseguem absorver traços de ouro presentes em profundidade no subsolo. Dessa forma, a vegetação atua como um indicador biológico natural da presença de depósitos minerais.

Exploração mineral sustentável

O principal impacto do ouro verde está no potencial para transformar a exploração mineral. A análise de plantas pode servir como uma ferramenta de prospecção sustentável, permitindo identificar depósitos subterrâneos sem recorrer, de imediato, a escavações invasivas.

Portanto, o método reduz impactos ambientais e contribui para a preservação das florestas boreais. Além disso, o estudo amplia o entendimento sobre como árvores e microrganismos movimentam e transformam elementos químicos na natureza.

Segundo a Universidade de Oulu, esse conhecimento pode influenciar futuras aplicações em geologia, biotecnologia e ciências ambientais.

Ao unir preservação ambiental e tecnologia geológica, o ouro verde reforça que soluções inovadoras para a mineração do futuro podem estar profundamente enraizadas nos próprios ecossistemas naturais.