Categoria Inovação

Edifício de dez andares montado em 24 horas na China reacende debate sobre construção modular industrializada

A construção modular industrializada ganha destaque após edifício montado em 24 horas na China. O modelo aposta em produção em fábrica, planejamento rigoroso e montagem precisa, reduzindo prazos, impactos urbanos e redefinindo a engenharia civil.

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A construção modular industrializada voltou ao centro do debate global após a divulgação, pelo portal O Cafezinho, de um edifício de dez andares montado em pouco mais de 24 horas na China. Embora o tempo recorde impressione à primeira vista, o caso revela, sobretudo, uma mudança estrutural na forma de projetar, fabricar e executar edificações. Em vez de improviso, o que se vê é o resultado visível de planejamento rigoroso, integração de projetos e produção industrial coordenada.

A construção modular industrializada baseia-se na transferência de grande parte das atividades do canteiro para fábricas especializadas. Nesse modelo, módulos tridimensionais ou painéis estruturais são produzidos em ambiente controlado, com tolerâncias milimétricas e inspeções constantes. Além disso, esses elementos podem sair da linha de produção com sistemas elétricos, hidráulicos e de climatização parcialmente instalados.

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Por isso, a etapa realizada no terreno assume um papel semelhante ao de uma linha de montagem. Guindastes posicionam os módulos conforme uma sequência previamente definida, o que reduz retrabalhos e aumenta a previsibilidade. Conforme destacam engenheiros do setor, a velocidade observada em obras desse tipo é consequência direta de um processo longo e altamente planejado, e não de execução apressada.

Construção modular industrializada e as etapas do sistema produtivo

Na construção modular industrializada, cada fase segue uma cadeia produtiva padronizada, aproximando a construção civil de um modelo industrial. Primeiramente, o projeto define módulos repetíveis e compatíveis entre si. Em seguida, a produção em fábrica ocorre de forma seriada, com controle de qualidade e rastreabilidade de materiais.

Posteriormente, a logística é planejada com precisão, considerando rotas, janelas de transporte e equipamentos de içamento. Então, a montagem acontece conforme um cronograma rígido, finalizando com a integração das redes, selagem das juntas e verificação do desempenho global da edificação. Dessa forma, imprevistos comuns em obras tradicionais são significativamente reduzidos.

A construção modular industrializada oferece ganhos relevantes em prazo, qualidade e organização do canteiro. Como resultado, o tempo de obra no local é drasticamente reduzido, o que diminui custos indiretos e interferências no entorno urbano. Além disso, a produção em ambiente controlado favorece padrões mais uniformes de qualidade e segurança.

Outro ponto relevante é a redução de resíduos e da circulação intensa de trabalhadores, o que gera menor impacto para a vizinhança. Inclusive, esse aspecto torna o modelo especialmente atrativo para áreas urbanas densas e projetos em funcionamento contínuo, como hospitais e escolas.

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Limites, desafios e perspectivas

Apesar dos avanços, a construção modular industrializada enfrenta desafios importantes. A necessidade de padronização pode limitar projetos altamente personalizados, enquanto o transporte de grandes módulos exige infraestrutura viária adequada. Além disso, a expansão do modelo depende de normas técnicas atualizadas e de mão de obra especializada.

Ainda assim, esse caso indica uma tendência clara de industrialização da construção civil. No longo prazo, critérios como durabilidade, eficiência energética e flexibilidade de uso serão tão relevantes quanto a velocidade de montagem. Assim, a construção modular industrializada consolida-se como parte de um sistema mais amplo, baseado em planejamento rigoroso, padronização e controle industrial, capaz de redefinir o futuro do setor.