Categoria Inovação

Carros autônomos podem reduzir acidentes e salvar milhares no trânsito

Carros autônomos podem evitar mais de 1 milhão de feridos no trânsito até 2035, segundo estudo científico.

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Carros autônomos podem transformar a forma como o trânsito é organizado e gerenciado. Além disso, segundo projeções do estudo publicado na revista JAMA Surgery, a simples introdução desses veículos em pequena escala já reduz de forma mensurável o número de acidentes e lesões nas estradas americanas.

Entre 2025 e 2035, os pesquisadores estimam que a presença de carros autônomos pode diminuir em até 3,6% as lesões relacionadas ao trânsito. Embora o percentual pareça modesto à primeira vista, ele representa centenas de milhares de pessoas que deixariam de sofrer ferimentos graves.

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Trânsito como problema de saúde pública

Nos Estados Unidos, os acidentes de trânsito continuam entre as principais causas de morte e lesão evitáveis. Assim, o país registra mais de 120 mortes por dia em ocorrências envolvendo veículos, além de milhões de atendimentos hospitalares anuais.

Em 2022, mais de 2,6 milhões de pessoas precisaram de atendimento em prontos-socorros devido a acidentes de trânsito. Além do impacto humano, os custos econômicos relacionados a acidentes fatais ultrapassam US$ 470 bilhões, considerando despesas médicas e perdas produtivas.

Por isso, os carros autônomos passam a ser analisados não apenas como inovação tecnológica, mas também como ferramenta para reduzir custos no sistema de saúde.

Erro humano e o papel dos carros autônomos

Grande parte dos acidentes de trânsito resulta de falhas humanas. Distração ao volante, fadiga, excesso de velocidade e consumo de álcool ou drogas figuram entre as principais causas de colisões.

O estudo destaca que os carros autônomos podem mitigar esses fatores de risco, pois operam sem influência emocional, cansaço ou consumo de substâncias. Além disso, a automação permite respostas mais rápidas e previsíveis em situações de perigo, reduzindo a probabilidade de erros críticos.

Empresas que já operam frotas de carros autônomos em ambientes controlados divulgam resultados promissores. Além disso, dados preliminares da Waymo mostram taxas de acidentes até 80% menores em comparação com veículos conduzidos por humanos.

Embora ainda limitados em escala e tempo, esses resultados serviram de base para os cenários mais otimistas dos pesquisadores, especialmente aqueles que combinam maior adoção da tecnologia com níveis elevados de segurança operacional.

Como o estudo projetou os cenários para os carros autônomos

Pesquisadores canadenses analisaram dados nacionais dos Estados Unidos sobre lesões causadas por acidentes de trânsito entre 2009 e 2023. A partir desse histórico, aplicaram um modelo de regressão linear para projetar tendências futuras.

As simulações consideraram duas variáveis centrais:

  • a proporção de distâncias percorridas por carros autônomos;
  • o quanto esses veículos seriam mais seguros que motoristas humanos.

Além disso, os pesquisadores testaram quatro cenários de adoção, variando entre 1% e 10% do total de milhas rodadas até 2035.

Cenários: de ganhos graduais a impacto amplo

Nos cenários mais conservadores, em que os carros autônomos representariam apenas 1% das distâncias percorridas e apresentariam segurança 50% superior à condução humana, o modelo indica a prevenção de mais de 67 mil lesões.

Por outro lado, nas projeções mais favoráveis, com 10% de adoção e nível de segurança 80% maior, o número de feridos evitados ultrapassa 1 milhão de casos. Esses dados demonstram que mesmo avanços graduais podem gerar efeitos significativos na segurança viária.

Os autores alertam que as projeções exigem interpretação cautelosa. A adoção de carros autônomos ainda ocorre em estágio inicial, o que limita a disponibilidade de dados reais de longo prazo.

O estudo recomenda que pesquisas futuras foquem especialmente em rodovias, onde se concentram os acidentes mais graves e a maior parte das mortes. À medida que mais carros autônomos entrarem em circulação, os modelos poderão ser refinados com dados mais robustos.

Mesmo com incertezas, os resultados indicam que os carros autônomos podem se tornar peça-chave na redução de acidentes de trânsito e no alívio da pressão sobre sistemas de saúde. A tecnologia não elimina todos os riscos, mas aponta para um futuro em que a mobilidade urbana será mais segura, previsível e eficiente.