Sisu+ 2026 dá nova chance de entrar em universidade pública ainda este ano

O MEC lançou o Sisu+ 2026, etapa complementar do Sistema de Seleção Unificada que vai reunir vagas remanescentes de universidades públicas em uma plataforma nacional. A iniciativa amplia as chances de ingresso no segundo semestre para estudantes que participaram do Enem e não conseguiram vaga na seleção regular.
Estudante consulta material de estudos após anúncio do Sisu+ 2026 para vagas remanescentes em universidades públicas
Sisu+ 2026 cria nova oportunidade para estudantes disputarem vagas remanescentes em universidades públicas no segundo semestre. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Sisu+ 2026 surge como uma nova oportunidade no Sistema de Seleção Unificada para estudantes que não conseguiram vaga no processo regular. A etapa complementar criada pelo Ministério da Educação (MEC) pretende ampliar o acesso ao ensino superior público ao reunir vagas não ocupadas de universidades públicas e institutos federais em uma única plataforma nacional.

Na prática, o novo modelo do Sisu tenta resolver um problema recorrente nas instituições públicas: vagas que continuam abertas mesmo após chamadas regulares e listas de espera. Em muitos casos, estudantes aprovados desistem do curso, mudam de instituição, enfrentam dificuldades financeiras ou não realizam matrícula, obrigando universidades a criarem processos próprios para preencher as cadeiras restantes.

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Isso também gera ociosidade na estrutura pública, com salas e laboratórios operando abaixo da capacidade enquanto milhares de estudantes seguem tentando entrar na universidade.

Com o Sisu+ 2026, o MEC aposta em uma seleção unificada complementar para acelerar o preenchimento dessas vagas e ampliar as possibilidades de ingresso no segundo semestre.

As inscrições do Sisu+ ficarão abertas entre 15 e 19 de junho, exclusivamente pelo Portal Único de Acesso ao Ensino Superior. Poderão participar candidatos que fizeram ao menos uma edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) entre 2023 e 2025 e que participaram da etapa regular do Sisu 2026.

A possibilidade de utilizar notas de uma das três últimas edições do Enem amplia o alcance da seleção complementar, principalmente para estudantes que seguem tentando ingresso na universidade pública há mais de um ano.

Para quem não conseguiu aprovação na primeira etapa do Sisu, o novo sistema cria uma possibilidade adicional de ingresso sem precisar esperar a próxima edição do Enem.

A nova etapa do Sisu também reduz uma dificuldade comum enfrentada pelos estudantes: acompanhar editais separados em dezenas de sites de universidades públicas. Agora, as oportunidades passam a ser reunidas em um único sistema nacional.

Na prática, o estudante deixa de depender de processos descentralizados e consegue acompanhar as vagas disponíveis em uma plataforma única, o que pode ampliar o acesso para candidatos de diferentes regiões do país, especialmente moradores do interior.

Esse efeito pode ser ainda mais relevante em cursos historicamente marcados por sobra de vagas, como licenciaturas, engenharias e outras áreas estratégicas para formação profissional no Brasil.

Quem pode participar do Sisu+ 2026

Segundo o MEC, o Sisu+ não é um novo vestibular. O programa funcionará como uma etapa complementar do próprio Sisu 2026, realizada após o encerramento das convocações da lista de espera e dos processos seletivos internos das instituições participantes.

Poderão participar estudantes que fizeram pelo menos uma edição do Enem entre 2023 e 2025 e que tenham participado da etapa regular do Sisu 2026.

As universidades e institutos federais que aderirem ao sistema precisarão informar previamente as vagas eventualmente não ocupadas no processo regular.

Após acessar o sistema com a conta Gov.br, o estudante deverá preencher dados pessoais, sociais e econômicos. Em seguida, poderá escolher até duas opções de curso.

O candidato conseguirá visualizar informações como:

  • instituição de ensino;
  • turno;
  • modalidade de concorrência;
  • local de oferta;
  • ações afirmativas disponíveis;
  • grau do curso.

O processo seletivo complementar será composto por chamada regular única e possibilidade de lista de espera.

O sistema também seguirá as modalidades de concorrência previstas pela Lei de Cotas (Lei nº 12.711/2012), incluindo reserva de vagas para estudantes de escola pública, baixa renda, pretos, pardos, indígenas e quilombolas, além de políticas próprias adotadas pelas instituições participantes.

Como usar notas antigas do Enem no Sisu+

O edital permite que os candidatos utilizem notas obtidas em uma das três últimas edições do Exame Nacional do Ensino Médio. Na prática, isso amplia as possibilidades para estudantes que fizeram o Enem anteriormente e ainda buscam uma vaga em universidade pública.

A medida também pode beneficiar candidatos que decidiram retomar os estudos ou tentar uma nova graduação sem precisar aguardar outra edição da prova.

Calendário do Sisu+ 2026

O cronograma divulgado pelo MEC prevê:

  • inscrições: 15 a 19 de junho;
  • resultado da chamada regular: 24 de junho;
  • manifestação de interesse na lista de espera: 24 a 26 de junho;
  • matrícula da chamada regular: a partir de 25 de junho;
  • matrícula da lista de espera: a partir de 1º de julho.

Por que sobram vagas nas universidades públicas

O MEC projeta que o Sisu+ 2026 seja utilizado principalmente em cursos com alta rotatividade, nos quais há desistências frequentes após a matrícula inicial.

Esse cenário afeta diretamente áreas consideradas estratégica s para o país, especialmente cursos de formação de professores e graduações ligadas à engenharia e tecnologia.

Muitas vagas deixam de ser ocupadas após mudanças de curso, transferência de cidade, dificuldades financeiras ou desistências ao longo das primeiras chamadas do processo seletivo.

Ao acelerar o preenchimento dessas vagas, o governo tenta melhorar o aproveitamento da estrutura pública de ensino superior e ampliar o número de estudantes efetivamente matriculados.

Por que o Sisu+ pode mudar o acesso às vagas remanescentes

Além de ampliar oportunidades para estudantes, o Sisu+ também pode reduzir custos administrativos das universidades públicas.

Hoje, muitas instituições precisam organizar vestibulares próprios ou processos internos para preencher vagas que sobraram após o Sisu tradicional. Isso exige novas equipes, divulgação e etapas burocráticas.

A centralização do processo também pode acelerar convocações e reduzir o tempo de espera dos estudantes por vagas disponíveis.

O impacto também é social. Estudantes que perderam a primeira seleção passam a ter uma nova possibilidade de disputar vagas públicas sem precisar acompanhar dezenas de processos separados.

Outro efeito relevante está na democratização da informação. Ao concentrar as oportunidades em um único ambiente digital, o MEC reduz uma barreira que historicamente favorecia estudantes mais familiarizados com os processos universitários.

Para estudantes que já haviam desistido da possibilidade de entrar na universidade ainda em 2026, o Sisu+ pode reabrir a disputa por cursos que continuaram com vagas disponíveis.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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