Mentoria para Medicina no Enem criada por aluno da UFC amplia acesso à aprovação

A startup ULearn, criada por um estudante da UFC, aposta em inteligência artificial e mentoria personalizada para ampliar o acesso à preparação para Medicina no Enem. A plataforma atende alunos em 14 estados e busca democratizar métodos antes restritos a cursinhos de elite.
Gabriel Rotsen Fortes, estudante da UFC e fundador de startup de mentoria para Medicina no Enem
Gabriel Rotsen Fortes criou a ULearn, startup cearense que usa inteligência artificial e mentoria personalizada para ampliar o acesso à preparação para Medicina no Enem. (Foto: Donny Soares)

A dificuldade de acessar métodos de alto desempenho para aprovação em universidades públicas levou um estudante da Universidade Federal do Ceará (UFC) a criar uma solução voltada à democratização da preparação para Medicina no Enem. Aos 22 anos, Gabriel Rotsen Fortes fundou a ULearn, startup de tecnologia educacional que combina inteligência artificial e mentoria personalizada para orientar estudantes em vestibulares concorridos.

O projeto nasceu após o universitário perceber, dentro da própria faculdade, o impacto da desigualdade educacional na trajetória dos alunos. Enquanto parte dos estudantes teve acesso a cursinhos caros, acompanhamento individual e planejamento estratégico de estudos, muitos chegaram à universidade sem orientação especializada durante a preparação.

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Para muitos candidatos, a maior dificuldade não está apenas no volume de conteúdo, mas em estudar sem saber o que priorizar ou se realmente estão evoluindo. O excesso de matérias, a pressão por resultados e a falta de direcionamento acabam se tornando obstáculos para estudantes que tentam disputar vagas em cursos com notas de corte elevadas, como Medicina.

A experiência transformou uma percepção pessoal em proposta de impacto social. Em vez de focar apenas em conteúdo, a startup aposta em acompanhamento estratégico, organização da rotina e direcionamento personalizado para estudantes que buscam aprovação em Medicina.

Em apenas três meses de operação, a edtech cearense alcançou faturamento de R$ 20 mil, passou a atender 32 alunos em 14 estados brasileiros e já registra três aprovações em cursos de Medicina. O crescimento acompanha o avanço das edtechs no Brasil e a procura crescente por preparação personalizada para vestibulares de alta concorrência.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Startups (Abstartups), o setor de tecnologia educacional está entre os mais consolidados do ecossistema brasileiro de inovação, impulsionado pela digitalização do ensino e pela busca por modelos mais acessíveis de aprendizagem.

“Quando vi essa realidade, pensei que não podia guardar isso só para mim. Eu sei o que é estudar sem saber se está no caminho certo. A ULearn existe para que nenhum aluno passe por isso sozinho”, afirma Gabriel Rotsen Fortes.

A procura por mentoria para vestibular de Medicina e acompanhamento individualizado também cresce em meio às altas notas de corte registradas no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), especialmente nos cursos de Medicina das universidades federais. Nesse cenário, planejamento de estudos, estratégia de prova e monitoramento de desempenho passaram a ganhar peso na preparação dos candidatos.

Mentoria para Medicina no Enem: Por que muitos estudantes estudam muito e ainda não conseguem evoluir

O modelo da ULearn começa com uma avaliação diagnóstica baseada no desempenho do estudante, rotina acadêmica, metas profissionais e histórico no Enem. A partir dessas informações, a plataforma desenvolve um cronograma estratégico voltado à evolução gradual do aluno ao longo da preparação.

Os mentores são estudantes ou recém-aprovados em Medicina em universidades federais, responsáveis pelo acompanhamento contínuo durante toda a jornada de estudos. A inteligência artificial funciona como suporte operacional para análise de desempenho, monitoramento de evolução e otimização do direcionamento pedagógico.

Mais do que oferecer um cronograma, a proposta busca evitar erros comuns de preparação, como estudar sem prioridade definida, acumular conteúdos sem revisão ou passar meses sem saber se houve melhora real no desempenho. A ideia é dar ao estudante mais clareza sobre o que precisa ser corrigido para avançar de forma consistente.

“Estamos falando de uma mentoria voltada ao direcionamento dos estudos, conduzida por mentores aprovados em universidades federais. A mentoria utiliza inteligência artificial para auxiliar e otimizar os processos, tornando o acompanhamento mais eficiente e personalizado”, explica Gabriel.

O diferencial da plataforma está na tentativa de aproximar estudantes de cidades menores e diferentes contextos socioeconômicos de estratégias usadas por candidatos de alto rendimento. Além da organização da rotina, a plataforma trabalha evolução na redação, análise de simulados e definição de prioridades dentro do conteúdo do Enem.

Para muitos estudantes fora dos grandes centros urbanos, o acesso a mentoria para Medicina no Enem ainda é limitado. Plataformas digitais passaram a reduzir parte dessa distância ao permitir orientação especializada sem necessidade de cursinhos presenciais de alto custo.

“A ideia é guiar o aluno em aspectos como quais conteúdos priorizar no dia a dia, como organizar um cronograma de estudos, como evoluir na redação, com metas semanais, como melhorar o desempenho em simulados e quais estratégias de prova adotar”, afirma o fundador.

Interiorização da educação impulsiona plataformas digitais

O crescimento das plataformas de ensino digital vem reduzindo barreiras geográficas no acesso à preparação de alto desempenho. Estudantes de cidades menores passaram a buscar orientação especializada sem depender exclusivamente de cursinhos presenciais concentrados nos grandes centros urbanos.

Nesse cenário, a preparação para Medicina no Enem se tornou um dos segmentos mais competitivos do setor educacional. O aumento da concorrência elevou a procura por métodos capazes de personalizar a rotina de estudos e oferecer acompanhamento contínuo aos candidatos.

A presença da ULearn em 14 estados brasileiros indica que a demanda por orientação estratégica ultrapassa fronteiras regionais. O movimento também reforça o crescimento de iniciativas nordestinas ligadas à inovação educacional e ao empreendedorismo universitário.

Agora, a startup de mentoria para Medicina no Enem busca investidores, programas de aceleração e parcerias para ampliar atuação nacional. A meta é expandir a plataforma sem perder o foco no acompanhamento humano, considerado um dos principais diferenciais do projeto.

“Nosso sonho é que qualquer estudante, em qualquer cidade, tenha acesso a uma preparação que antes era privilégio de poucos”, projeta Gabriel Rotsen Fortes.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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