Inclusão trans na educação avança com mais acesso à universidade no Brasil

Inclusão trans na educação avança com EJA, políticas públicas e acolhimento, ampliando o acesso ao ensino superior mesmo após anos fora da escola.

A trajetória de retorno aos estudos ganha novos caminhos no Brasil, especialmente quando há apoio institucional e alternativas como a EJA. Nesse cenário, a inclusão trans na educação mostra, na prática, que o acesso à universidade pode acontecer mesmo após décadas fora da sala de aula. Assim, em 2026, Sabriiny Fogaça Lopes, de 41 anos, ingressou na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro após 25 anos longe da escola.

Ela havia interrompido os estudos aos 15 anos, diante de episódios de discriminação no ambiente escolar. Durante esse período, enfrentou limitações no mercado de trabalho e, por isso, buscou alternativas informais de renda. Ainda assim, manteve o interesse pela educação como caminho de mudança. Com isso, o retorno aos estudos passa a ter impacto direto na vida adulta.

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Inclusão trans na educação mostra caminhos de reentrada via EJA

A retomada aconteceu por meio da Educação de Jovens e Adultos. Atualmente, essa modalidade reúne cerca de 2,4 milhões de estudantes no país, segundo o Censo Escolar 2024. Desse total, 2,2 milhões estão na rede pública. Em geral, trata-se de pessoas que não concluíram a educação básica na idade regular.

No Colégio Estadual Barão de Tefé, em Seropédica, Sabriiny encontrou um ambiente diferente daquele da adolescência. Inicialmente, teve receio. No entanto, passou a se engajar nas atividades e participou de projetos educacionais. Entre eles, uma coletânea literária desenvolvida com apoio da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, essa experiência reforça o papel do acolhimento na permanência escolar.

Acesso ao ensino superior ainda é desafio para quem vem da EJA

Mesmo com avanços, a transição para a universidade ainda é menor entre estudantes da EJA. Segundo o Censo da Educação Superior 2023, apenas 9% conseguem ingressar no ensino superior logo após concluir o ensino médio. Já no ensino regular, esse índice chega a 30%.

No caso de Sabriiny, o Enem foi a principal porta de entrada. Ela prestou o exame duas vezes e foi aprovada em ambas. Depois disso, optou pela Licenciatura em Educação Especial. Atualmente, também atua como Diretora de Diversidade no diretório acadêmico do curso, ampliando sua participação no ambiente universitário.

Políticas e permanência

A presença de pessoas trans na universidade ainda é limitada, o que reforça os desafios da inclusão trans na educação no Brasil. Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transsexuais, apenas 0,3% dessa população acessa o ensino superior. Além disso, mais de 70% não concluem o ensino médio, o que amplia a distância até a universidade.

Para ampliar esse cenário, 38 universidades públicas já adotam políticas de cotas para pessoas trans. Ainda assim, especialistas apontam que o acesso precisa vir acompanhado de estratégias de permanência. Entre elas, estão apoio institucional, acompanhamento acadêmico e espaços seguros.

No caso de Sabriiny, o objetivo vai além da graduação atual. Ela planeja cursar também Serviço Social. Paralelamente, pretende atuar na área de educação especial, com foco em ampliar o acesso de diferentes públicos ao ensino.

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Inclusão trans na educação aponta novos caminhos

A inclusão trans na educação indica que o acesso ao ensino pode se tornar mais contínuo. Esse avanço depende de políticas públicas, acolhimento institucional e alternativas como a EJA. Dessa forma, a tendência é que mais pessoas consigam retomar os estudos e avançar até a universidade, reduzindo desigualdades educacionais ao longo do tempo.

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Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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