Turistas chineses no Brasil crescem 35% e impulsionam empregos no turismo

O Brasil lidera as buscas de turistas chineses na América do Sul. O crescimento de 35% no fluxo de visitantes amplia oportunidades de emprego, fortalece o turismo e pode atrair novos investimentos.
Turistas observam a vista do Rio de Janeiro, um dos destinos mais procurados por turistas chineses no Brasil e destaque do turismo internacional.
Rio de Janeiro está entre as cidades brasileiras que mais despertam interesse dos turistas chineses, ajudando a consolidar o Brasil como principal destino sul-americano para esse público.

Os turistas chineses no Brasil cresceram 35% entre 2024 e 2025, consolidando o país como o destino sul-americano mais procurado pelos viajantes da China. O avanço fortalece o turismo internacional, amplia oportunidades de emprego e renda em diversas regiões brasileiras e pode ganhar novo impulso com a expansão das conexões aéreas entre os dois países.

Dados da plataforma internacional Trip.com Group, controladora do Skyscanner e responsável por mais de 70% do mercado de turismo chinês, mostram que o Brasil ocupa a primeira posição entre os destinos da América do Sul mais procurados pelos viajantes chineses. Argentina, Peru, Colômbia e Chile aparecem na sequência.

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O desempenho indica que o país está ganhando espaço em um dos maiores mercados emissores de turistas do mundo. Para destinos internacionais, ampliar a presença entre os viajantes chineses significa disputar uma parcela de um fluxo turístico que movimenta bilhões de dólares anualmente na economia global.

Na prática, isso significa que o Brasil passa a disputar uma parcela maior dos gastos realizados por viajantes chineses no exterior. Quanto maior essa participação, maiores tendem a ser os benefícios para cidades turísticas, empresas de serviços e trabalhadores que dependem da atividade.

Antes mesmo da entrada em vigor de medidas como a ampliação da facilitação de vistos e possíveis novas conexões aéreas, o interesse dos visitantes da China já se reflete nos números de chegada ao país.

Em 2025, o Brasil recebeu 103.122 turistas chineses, crescimento de 35% em comparação com 2024. O ritmo continuou acelerado nos primeiros meses de 2026, quando o país registrou 39.880 visitantes chineses entre janeiro e abril, alta de 33,6% sobre o mesmo período do ano anterior.

Como o turismo chinês no Brasil pode movimentar a economia

O avanço do turismo chinês no Brasil representa mais do que um aumento estatístico de visitantes estrangeiros. Cada viajante movimenta uma cadeia econômica ampla que envolve hotéis, restaurantes, transporte, comércio, eventos, guias turísticos e atrações culturais.

O impacto tende a ser ainda mais relevante porque o interesse dos turistas não está concentrado em apenas uma região. Entre as cidades mais procuradas aparecem São Paulo, Rio de Janeiro, Guarulhos, Belo Horizonte, Foz do Iguaçu, Brasília, Porto Alegre, Manaus, Curitiba e Salvador.

Essa distribuição amplia o potencial de geração de renda em diferentes estados e fortalece o desenvolvimento de destinos que dependem da atividade turística para movimentar a economia local.

O avanço do turismo receptivo internacional também contribui para a entrada de recursos externos na economia brasileira. Quando visitantes estrangeiros consomem produtos e serviços durante a viagem, parte dessa movimentação se converte em receita para empresas locais e fortalece atividades ligadas ao setor de serviços.

Embora o aumento dos turistas chineses pareça distante da rotina da maioria dos brasileiros, seus efeitos costumam alcançar diversos setores da economia. Quando cresce o número de visitantes estrangeiros, aumenta a demanda por hospedagem, alimentação, transporte, comércio, eventos e serviços turísticos. Esse movimento pode gerar vagas de trabalho, fortalecer pequenos empreendimentos e ampliar a arrecadação em municípios que dependem do turismo para movimentar sua economia.

Para o leitor, isso significa mais oportunidades de emprego, crescimento de pequenos negócios ligados ao turismo e maior circulação de recursos em cidades que recebem visitantes internacionais.

Relação Brasil-China ganha nova dimensão

A liderança brasileira entre os destinos sul-americanos buscados por chineses também reflete um movimento mais amplo de aproximação entre os dois países.

Durante agenda em Xangai, o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, formalizou a inclusão do Brasil na plataforma da Trip.com, ampliando a exposição dos destinos brasileiros para milhões de consumidores chineses que utilizam o serviço para planejar viagens internacionais.

A China é considerada um dos mercados prioritários para a expansão do turismo internacional brasileiro devido ao volume de viajantes e ao potencial de consumo desse público.

Nesse contexto, o turismo passa a complementar uma relação que já é estratégica para comércio, investimentos e cooperação econômica.

Segundo o ministro, essa liderança demonstra a capacidade do Brasil de oferecer experiências culturais, naturais e urbanas valorizadas pelo público internacional, fator que contribui para ampliar a competitividade do país no cenário global.

Novos voos podem acelerar a chegada de visitantes chineses

Outro fator que pode impulsionar ainda mais os visitantes chineses no Brasil é a ampliação da conectividade aérea.

Segundo o ministro, estão em andamento negociações com a China Eastern Airlines para avaliar a viabilidade de uma ligação aérea com destino ao Brasil, reduzindo uma das principais barreiras para o crescimento do fluxo turístico entre os dois países.

Especialistas do setor apontam que a ampliação da conectividade aérea costuma ser um dos principais fatores para o crescimento do turismo internacional. Além de facilitar a chegada de visitantes, novas rotas podem ampliar a oferta de assentos, estimular viagens corporativas, fortalecer o intercâmbio econômico e aumentar a circulação de negócios entre os países conectados.

Se as negociações avançarem, a tendência é que o Brasil fique mais acessível para um dos maiores mercados consumidores do mundo. Isso pode aumentar o fluxo de visitantes, estimular investimentos no setor turístico e ampliar oportunidades para empresas brasileiras ligadas à hotelaria, gastronomia, transporte e entretenimento.

A melhoria das conexões aéreas tende a ter impacto ainda maior em mercados geograficamente distantes, como Brasil e China.

Por que os turistas chineses estão escolhendo o Brasil

O interesse dos viajantes chineses pelo Brasil está ligado a características que diferenciam o país no mercado internacional.

Segundo Gustavo Feliciano, há forte interesse dos turistas chineses por atrativos naturais brasileiros como a Amazônia, o Pantanal e as Cataratas do Iguaçu.

Esses destinos possuem reconhecimento internacional consolidado e ajudam o Brasil a competir em segmentos de alto valor agregado, como ecoturismo, turismo de natureza e experiências ligadas à biodiversidade.

A cultura brasileira também desempenha papel relevante. Eventos como o Carnaval, as festas juninas e o Festival de Parintins ampliam o interesse por experiências autênticas e ajudam a fortalecer a imagem do país no exterior.

A combinação entre biodiversidade, patrimônio natural e manifestações culturais ajuda a explicar por que o Brasil lidera as buscas dos turistas chineses na América do Sul.

O que muda para o Brasil

A liderança entre os turistas chineses no Brasil mostra que o país está conquistando espaço em um mercado de alto potencial de crescimento. O avanço do fluxo de visitantes indica que o turismo está se tornando mais um elo relevante na relação entre Brasil e China, com potencial para ampliar oportunidades econômicas em diversas regiões do país.

Se a tendência de crescimento continuar acompanhada pela ampliação das conexões aéreas e pela promoção internacional dos destinos brasileiros, o setor poderá consolidar uma nova frente de desenvolvimento para cidades turísticas, empresas de serviços e trabalhadores ligados à economia do turismo.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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