A construção da “The Line”, cidade linear de 170 quilômetros que a Arábia Saudita pretende abastecer integralmente com fontes renováveis, já conta com participação industrial do Brasil. Nesse cenário, a tecnologia brasileira passou a integrar a base energética do projeto, com equipamentos produzidos em Guarulhos (SP) que sustentam a infraestrutura inicial de um dos maiores empreendimentos urbanos do mundo.
O contrato prevê o fornecimento de 14 transformadores de grande porte e, até o momento, a quarta unidade já foi embarcada rumo ao Oriente Médio. Cada equipamento mede 11 metros, pesa 540 toneladas e tem custo milionário. Além disso, segundo a fabricante, o conjunto possui potência suficiente para abastecer duas cidades do porte de São Paulo ou uma Nova York. Além do dado imediato, portanto, há um efeito prático que merece atenção.
Tecnologia brasileira fortalece infraestrutura elétrica da The Line
De acordo com Alexandre Malveiro, diretor de Negócios e Transformadores da Hitachi, nesta etapa os transformadores não levam energia a residências. “É simplesmente para a infraestrutura de uma construção de uma cidade”, explicou. Assim, a tecnologia brasileira participa diretamente da fundação elétrica que permitirá a expansão urbana planejada até 2030.
O projeto saudita aposta em energia renovável como base do abastecimento. Nesse contexto, os equipamentos nacionais assumem papel estratégico ao viabilizar a transmissão e a estabilidade da rede em larga escala. Para o leitor, portanto, o detalhe técnico altera a forma de compreender a exportação: não se trata apenas da venda de máquinas, mas da integração a um sistema urbano de nova geração.
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Para viabilizar o envio da tecnologia brasileira à The Line, o transporte do transformador mobilizou mais de 50 profissionais, três cavalos mecânicos, mais de 50 eixos e 380 pneus. A operação ocorreu de madrugada, justamente para reduzir impactos no tráfego, e contou com inspeções da Polícia Rodoviária Federal. Em trechos da Serra das Araras, por exemplo, o comboio que levava o equipamento desenvolvido no Brasil avançou a 5 km/h.
Apesar de atrasos provocados por fatores mecânicos, climáticos e burocráticos, o embarque no Porto de Itaguaí (RJ) foi concluído. Agora, ainda restam 11 unidades para envio, dentro do cronograma saudita de modernização.
No plano econômico, a presença da tecnologia brasileira na The Line amplia a visibilidade da engenharia nacional em contratos de alta complexidade. Ao integrar um projeto urbano abastecido por fontes limpas, o Brasil associa sua indústria a soluções de infraestrutura global e energia renovável. Se mantido o desempenho técnico nas próximas entregas, a tendência é consolidar novos negócios internacionais até 2030.

