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Pequenas, quase imperceptíveis, porém devastadoras, as bitucas de cigarro estão entre os resíduos mais poluentes do planeta. Segundo reportagem da PEGN, o que antes era visto apenas como lixo passou a representar inovação, renda e impacto positivo. A reciclagem de bitucas de cigarro ganhou escala no litoral norte de São Paulo e mostrou que a economia circular pode nascer de problemas ignorados por décadas.
A reciclagem de bitucas de cigarro enfrenta um cenário complexo, pois esse resíduo pode levar até 15 anos para se decompor. Além disso, libera toxinas que contaminam solo, água e afetam a vida marinha. Por isso, o descarte incorreto amplia danos ambientais silenciosos, sobretudo em praias e centros urbanos. Nesse contexto, transformar o problema em solução exigiu pesquisa, persistência e tecnologia aplicada.
Reciclagem de bitucas de cigarro como negócio sustentável
Em Ubatuba, o empreendedor Marcos Poiato lidera uma empresa dedicada à reciclagem de bitucas de cigarro. Após cerca de 16 anos de pesquisa, o projeto estruturou uma rede com aproximadamente 9 mil pontos de coleta em diferentes estados. Além disso, o fundador investiu cerca de R$ 1 milhão ao longo de seis anos, alcançando faturamento aproximado de R$ 3 milhões em 2025.
“Eu descrevo a minha empresa como uma empresa de conceito inovador”, afirma Marcos, destacando o valor ambiental do processo.
O avanço decisivo ocorreu com uma parceria científica. A reciclagem de bitucas de cigarro passou a ser viável após o licenciamento de uma tecnologia desenvolvida pela Universidade de Brasília (UnB), capaz de eliminar toxinas do resíduo. “Foi quando fechamos o ciclo”, resume a pesquisadora Thérèse Hofmann, da UnB. Depois do tratamento, o material vira celulose limpa, sem odor, destinada a artesãos, projetos sociais e até à construção civil.
O impacto social
Além disso, a reciclagem de bitucas de cigarro também gera economia. Em Ubatuba, uma pista de skate sustentável utilizou a celulose reciclada misturada ao concreto, reduzindo custos entre 30% e 40%. Paralelamente, ações de educação ambiental reforçam a conscientização. Para a educadora Paula Borges, o modelo prova que sustentabilidade pode ser prática e lucrativa.
