Fortaleza, no Ceará, passa a contar, a partir de quinta-feira (05/03), com uma estrutura dedicada ao diagnóstico precoce e ao tratamento de doenças neurológicas raras na primeira infância. Instalado no campus da Universidade de Fortaleza (Unifor), o novo centro concentra atendimento especializado, reabilitação e pesquisa científica para crianças da gestação aos 6 anos, fase decisiva para o desenvolvimento cerebral.
O Centro de Neurodesenvolvimento em Doenças Raras (CEND) funciona no Núcleo de Atenção Médica Integrada (Nami) e reúne, sob um único atendimento, serviços que antes estavam dispersos. Na prática, a proposta é reduzir o tempo entre a suspeita clínica e o início do tratamento — um fator determinante nos primeiros anos de vida. Esse encurtamento pode alterar trajetórias de desenvolvimento.
Doenças neurológicas raras e o desafio do diagnóstico precoce
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma condição é considerada rara quando atinge até 65 pessoas a cada 100 mil indivíduos. Embora cada doença tenha baixa incidência, o impacto coletivo é expressivo, especialmente quando envolve o sistema nervoso em fase de formação.
O CEND concentra atendimento ligado ao desenvolvimento cerebral e a síndromes associadas. De acordo com o neuropediatra Eduardo Jucá, coordenador do centro, a proposta é direcionar esforços a esse recorte clínico para “encurtar essa trajetória em busca de respostas e de tratamentos”. Em casos de doenças neurológicas raras na primeira infância, quanto mais cedo ocorre a intervenção, maiores são as chances de ampliar o potencial de desenvolvimento da criança.
Estrutura integra ultrassom, equipe multidisciplinar e exame genético
O atendimento ocorre de forma interdisciplinar, com equipe multiprofissional qualificada e serviços de reabilitação organizados de maneira integrada. O centro também oferece ultrassom para detecção antecipada de alterações ainda na gestação.
Além disso, o centro realizará o exame de exoma, quando indicado, por meio de parcerias com laboratórios credenciados. O teste genético auxilia na identificação de alterações raras e orienta condutas terapêuticas. Assim, o diagnóstico deixa de ser apenas clínico e passa a contar com suporte molecular, ampliando precisão e planejamento.
Atendimento de doenças neurológicas raras pelo SUS e formação de especialistas fortalecem o alcance
Instalado no Nami, o serviço atende via Sistema Único de Saúde (SUS), tarifa popular e planos privados. O fluxo inicial será organizado por regulação e parcerias institucionais, o que estrutura o acesso de forma planejada.
Para a presidente da Fundação Edson Queiroz (FEQ), Lenise Queiroz Rocha, o investimento envolve não só tratamento, mas também pesquisa e formação de especialistas em neurodesenvolvimento. O centro funcionará como polo universitário, integrando assistência, ensino e produção científica.
A visão institucional é consolidar-se como referência nacional e ampliar, no futuro, intervenções que vão da reabilitação a procedimentos ainda na fase fetal, conforme destacou a coordenação médica.
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O que muda para famílias e profissionais
Com o novo centro, as doenças neurológicas raras passam a ter no Ceará uma estrutura que combina diagnóstico precoce, acompanhamento contínuo e formação técnica especializada. Para famílias, isso significa menos deslocamentos e mais previsibilidade no cuidado.
Para a rede de saúde, representa ampliação da capacidade regional em genética médica, neuropediatria e inovação terapêutica. Assim, ao concentrar ciência e assistência em um mesmo espaço, o Estado fortalece o atendimento na primeira infância.

