Absorvente biodegradável criado por empreendedoras já impacta milhares de mulheres

Empreendedoras brasileiras criaram absorvente biodegradável que já impactou 20 mil mulheres, gerou renda para costureiras e alcançou faturamento de R$ 700 mil.
Produção de absorvente biodegradável feito com materiais sustentáveis em processo artesanal
Produção de absorvente biodegradável criado por empreendedoras brasileiras para ampliar o acesso a produtos menstruais sustentáveis. (Foto: Reprodução TV Globlo)

Criado para ampliar o acesso a produtos de higiene menstrual e reduzir impactos ambientais, um absorvente biodegradável desenvolvido por empreendedoras brasileiras começa a ganhar espaço em iniciativas sociais e projetos corporativos. A empresa nasceu em Salvador (BA), já alcançou cerca de 20 mil mulheres em 17 estados e registrou faturamento de aproximadamente R$ 700 mil em 2025.

A iniciativa nasceu após a empreendedora Hellen Nzinga observar uma mulher tentando comprar absorventes em um supermercado sem ter dinheiro suficiente. A experiência levou à criação da empresa ao lado de Adriele Menezes e Patrícia Zanella, com foco em soluções menstruais acessíveis e sustentáveis. A proposta também dialoga com desafios enfrentados por muitas brasileiras no acesso a esses produtos.

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Absorvente biodegradável reduz impacto ambiental com tecnologia sustentável

Para desenvolver o produto, as empreendedoras dedicaram três anos e meio de pesquisa. Assim, o resultado foi um absorvente biodegradável feito com materiais atóxicos, higiênicos e veganos, projetado para se decompor em cerca de seis meses em condições comuns de descarte.

A solução surge como alternativa aos absorventes descartáveis convencionais, que podem levar centenas de anos para se decompor. Ao longo do processo de criação, a empresa também participou de editais e competições internacionais de inovação, acumulando mais de R$ 500 mil em premiações, recursos que ajudaram a viabilizar a produção piloto.

Produção gera renda para mulheres

Além do desenvolvimento tecnológico do absorvente biodegradável, o negócio estruturou um modelo produtivo que também gera renda. Parte da produção é realizada por costureiras treinadas para trabalhar com tecidos tecnológicos, muitas delas mulheres com mais de 50 anos que estavam fora do mercado de trabalho.

Atualmente, a rede de produção consegue fabricar cerca de 5 mil unidades por mês. Sempre que surge nova demanda, a empresa organiza a produção perto do local de entrega e contrata mulheres da própria região, ampliando oportunidades de trabalho.

Distribuição chega a comunidades em vários estados

O negócio atua principalmente no modelo B2B, fornecendo produtos para empresas e organizações que realizam ações sociais. Em muitos casos, as instituições compram os absorventes para distribuição gratuita em comunidades ou projetos de responsabilidade corporativa.

Essa estratégia permitiu ampliar a presença do absorvente biodegradável em 17 estados brasileiros e também em comunidades indígenas próximas à fronteira com a Venezuela, ampliando o alcance das iniciativas voltadas à saúde menstrual.

Novos produtos e expansão digital

Além dos absorventes usados em projetos sociais, a empresa passou a investir em produtos menstruais reutilizáveis, como calcinhas, shorts, biquínis e maiôs menstruais. Assim, a expectativa é ampliar o acesso com a criação de um e-commerce próprio, que permitirá vender diretamente ao consumidor.

Para as fundadoras, o objetivo do negócio combina crescimento econômico com impacto social. “Sustentabilidade é cuidar das pessoas”, afirma Hellen Nzinga. “Não dá para falar de meio ambiente sem olhar também para quem está vivendo essa realidade.”

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Absorvente biodegradável e o avanço de soluções de impacto

O avanço de iniciativas como o absorvente biodegradável mostra como inovação, empreendedorismo feminino e impacto social podem caminhar juntos. Assim, ao unir tecnologia sustentável, geração de renda e ampliação do acesso a produtos menstruais, projetos desse tipo apontam novos caminhos para enfrentar desigualdades relacionadas à saúde e ao meio ambiente.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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