Elas não recebem nota dos jurados, mas param a Avenida. As rainhas do Carnaval se tornaram símbolos de resistência, identidade e pertencimento na Marquês de Sapucaí. Segundo o G1, quatro nomes atravessaram gerações e consolidaram reinados históricos: Bianca Monteiro, Evelyn Bastos, Sabrina Sato e Viviane Araújo. Juntas, elas somam mais de 50 anos à frente das baterias do Grupo Especial do Rio.
Bianca Monteiro, da Portela, Evelyn Bastos, da Mangueira, Sabrina Sato, da Vila Isabel, e Viviane Araújo, do Salgueiro, transformaram o posto em referência cultural. Além disso, duas delas, Bianca e Evelyn, desfilam neste domingo (15/02) na abertura dos desfiles do Grupo Especial.
Rainhas do Carnaval e o peso da trajetória
As rainhas do Carnaval carregam muito mais que fantasias exuberantes. Bianca Monteiro, por exemplo, foi passista por 16 anos antes de assumir a coroa da Portela. Em 2017, na estreia como rainha, celebrou também o título da escola.
“Eu peguei uma Portela muito desacreditada. […] Quando estreei, joguei isso para o universo. E o universo me deu esse presente”, afirmou.
Além disso, Bianca define o posto como representação coletiva: “A rainha é mensageira. Ela fala por uma comunidade inteira.” Portanto, o protagonismo vai além da estética; envolve história, pertencimento e responsabilidade social.
Rainhas do Carnaval e identidade comunitária
As rainhas do Carnaval também simbolizam raízes profundas. Evelyn Bastos nasceu no Morro da Mangueira e cresceu na quadra da escola. “É o retrato da mulher negra que sobe e desce o morro todos os dias”, declarou. Assim, sua presença une tradição, ancestralidade e empoderamento feminino.
Ela reforça ainda a conexão energética com os ritmistas: “Quero que o público sinta alguma coisa quando me vê. […] O meu corpo manifesta o som de mais de 250 ritmistas.” Dessa forma, a bateria se transforma em extensão do corpo e da emoção.
Pluralidade e resistência
As rainhas do Carnaval revelam diferentes origens e trajetórias. Sabrina Sato, criada em Penápolis (SP), encontrou na Vila Isabel um lar definitivo. “O samba não tem preconceito, e a minha história prova isso”, disse. Viviane Araújo, conhecida como “rainha das rainhas”, construiu respeito no Salgueiro mesmo não sendo da comunidade. “Eu vou parar quando eu quiser”, declarou aos 50 anos, enfrentando críticas sobre idade.
Embora exista rivalidade na disputa pelo título, prevalece a admiração fora da avenida. “Cada uma tem sua identidade”, resume Bianca. Evelyn complementa: “A gente precisa aplaudir umas às outras para ser digna de aplauso também.”
Assim, as Rainhas do Carnaval mostram que o posto transcende beleza e competição. Ele representa cultura popular, força feminina e conexão com a comunidade.
