Categoria Cultura

Fósseis de 773 mil anos no Marrocos podem redefinir a origem do Homo sapiens

Fósseis de 773 mil anos encontrados no Marrocos podem redefinir a origem do Homo sapiens. Descoberta publicada na Nature reforça a África como possível berço da nossa linhagem evolutiva.

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A busca pela origem do Homo sapiens acaba de ganhar um novo e emocionante capítulo. Segundo a National Geographic Brasil, fósseis encontrados em uma caverna próxima a Casablanca, no Marrocos, podem representar uma das raízes mais antigas da nossa linhagem. Além disso, os restos mortais datam de cerca de 773 mil anos, um período decisivo na evolução humana.

Os fósseis foram descobertos na Grotte à Hominidés, localizada na pedreira Thomas Quarry, região conhecida por seu rico patrimônio arqueológico. Conforme publicado na revista Nature no início de 2026, os vestígios incluem dois fragmentos de mandíbula de adultos, um de criança, além de dentes e vértebras associados.

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Origem do Homo sapiens ganha nova pista na África

A origem do Homo sapiens sempre esteve no centro de debates científicos. Evidências genéticas sugerem que o ancestral mais antigo da nossa espécie viveu entre 765 mil e 550 mil anos atrás. Entretanto, os registros fósseis desse período são raros.

Anteriormente, o Homo antecessor, encontrado em Atapuerca, na Espanha, era considerado forte candidato a ancestral comum. Contudo, os novos fósseis marroquinos apresentam características distintas. Segundo o paleoantropólogo Jean-Jacques Hublin, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, “os fósseis acrescentam uma nova peça ao quebra-cabeça da origem do Homo sapiens”.

Além disso, análises de microtomografia revelaram que os restos não possuem traços associados aos neandertais europeus. Por isso, os pesquisadores sugerem que pertencem a uma população antiga ligada à África, possivelmente derivada de Homo erectus em processo de divergência.

origem do Homo sapiens e a datação magnética precisa

A origem do Homo sapiens também ganha força pela precisão da datação. Os sedimentos ao redor dos fósseis registram a transição Matuyama-Brunhes, a última grande inversão do campo geomagnético da Terra, ocorrida há cerca de 773 mil anos.

Como os minerais magnetizados nas rochas se alinham à polaridade terrestre, os cientistas conseguiram identificar essa inversão nos sedimentos.

“Notavelmente, os restos mortais dos hominídeos estão incrustados em sedimentos que registram essa mesma transição”, afirmou Hublin.

Assim, os fósseis tornam-se alguns dos ancestrais humanos mais antigos com datação precisa já descobertos, superando inclusive o Homo antecessor espanhol.

A “confusão no meio” da evolução

A origem do Homo sapiens está inserida em um período conhecido pelos especialistas como a “confusão no meio”, que compreende entre 1 milhão e 300 mil anos atrás. Nesse intervalo, linhagens como neandertais, denisovanos e humanos modernos começaram a se diferenciar.

Embora os novos fósseis não resolvam definitivamente o enigma, eles fortalecem o noroeste da África como possível berço da nossa linhagem. Além disso, reforçam que a evolução humana foi um processo complexo, com múltiplas populações se diversificando ao longo do tempo.

Por fim, a origem do Homo sapiens deixa de ser apenas um conceito abstrato e ganha forma concreta nesses vestígios preservados. Conforme destacou Hublin, os restos mortais representam “a presença física de um ser humano que viveu, se moveu e morreu”. Portanto, a descoberta não apenas ilumina a ciência, mas também aproxima cada um de nós das próprias raízes evolutivas.