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Na segunda (09/02), o silêncio tomou conta das ladeiras de Olinda em um dos ritos mais emblemáticos do calendário cultural da cidade. Nesse cenário, a Noite dos Tambores Silenciosos voltou a reunir batuqueiros, nações de maracatu e moradores em um encontro marcado pela devoção e pelo respeito aos ancestrais. Desde as primeiras horas da noite, o público acompanhou o cortejo da cerimônia dos tambores silenciosos pelas ruas dos Quatro Cantos, área histórica que, ao longo do tempo, se consolidou como espaço de encontros culturais e religiosos.
Noite dos Tambores Silenciosos e o sentido do rito
Criada há 27 anos, a Noite dos Tambores Silenciosos se consolidou como uma prática coletiva ligada às tradições afro-brasileiras. Inicialmente, o rito se desenvolve a partir dos cortejos das nações de maracatu, que apresentam suas Cortes Reais. Logo depois, os grupos seguem em caminhada pelas ruas do sítio histórico, compondo o percurso da tradição dos tambores silenciosos em Olinda. De acordo com a Associação dos Maracatus de Olinda (AMO), a cerimônia reafirma o vínculo entre música, fé e memória ancestral.
Entre as nações participantes da Noite dos Tambores Silenciosos, o Maracatu Nação Leão Coroado abriu a noite. Nesse caso, com mais de 160 anos de história, o grupo simboliza a continuidade do maracatu-nação em Pernambuco. Ao longo do percurso, outras oito nações se somaram ao cortejo e, progressivamente, ampliaram a presença coletiva. Com isso, cerca de 300 batuqueiros passaram a ocupar as ruas, formando um cenário que, ao mesmo tempo, integra devoção religiosa e expressão cultural urbana dentro do rito dos tambores silenciosos.
Tradição dos tambores silenciosos no maracatu
O ponto central da Noite dos Tambores Silenciosos ocorre à meia-noite, quando todas as nações se encontram na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Nesse instante, os instrumentos percussivos são silenciados de forma conjunta. Esse gesto, por sua vez, representa uma obrigação religiosa e, simultaneamente, funciona como homenagem aos tambores e aos praticantes que já partiram, conforme explicam integrantes das próprias nações envolvidas na cerimônia dos tambores silenciosos.
No entanto, esse silêncio coletivo não encerra a celebração da Noite dos Tambores Silenciosos. Ao contrário, ele amplia seu significado simbólico. Ao suspender o som, o rito convida à reflexão sobre a herança africana presente no maracatu e, além disso, sobre o papel das comunidades na preservação desses saberes. Dessa maneira, a prática também reforça a dimensão espiritual que sustenta a festa popular.
Herança viva
Ao reunir diferentes gerações, a Noite dos Tambores Silenciosos segue como referência de continuidade cultural em Olinda. A cada edição, o rito reafirma a ligação entre território, fé e identidade coletiva. Assim, atradição dos tambores silenciosos permanece ativa no cotidiano da cidade e, por consequência, segue integrada à vivência do carnaval pernambucano.
