Mestres da cultura popular ganham reconhecimento profissional

Mestres da cultura popular agora têm reconhecimento oficial na CBO, ampliando acesso a direitos, dados no mercado de trabalho e políticas públicas no Brasil.
mestres da cultura popular em apresentação cultural com público no Brasil
Mestres da cultura popular apresentam saberes tradicionais em evento cultural após reconhecimento na Classificação Brasileira de Ocupações. (Foto: Giba/ MinC)

O reconhecimento profissional no Brasil ganha um novo alcance com a decisão anunciada na quarta-feira (24/03), que inclui mestres da cultura popular na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Na prática, a medida insere esses profissionais no mercado formal, com impacto direto no acesso a direitos e políticas públicas.

Esse enquadramento passa a identificar mestres e mestras em registros como a Carteira de Trabalho e o eSocial, além de integrar essas atividades às bases estatísticas do emprego. Com isso, o poder público passa a contar com dados mais precisos sobre o setor, ampliando a capacidade de planejamento. E isso abre caminho para políticas mais direcionadas.

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O Ministério do Trabalho e Emprego articulou, junto ao Ministério da Cultura, a inclusão dos mestres da cultura popular na CBO sob o código 33-31-20. Dessa forma, o processo partiu de uma demanda do próprio segmento e contou com estudos técnicos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.

Segundo a ministra da Cultura, Margareth Menezes, o reconhecimento fortalece a cultura e amplia garantias. Já a secretária Márcia Rollemberg destaca que o avanço resulta de mobilização histórica de comunidades que mantêm tradições vivas. Assim, esse contexto mostra como políticas públicas podem nascer da escuta social.

Reconhecimento amplia acesso a direitos e políticas públicas

Ao entrar na classificação oficial, os mestres da cultura popular passam a ter maior visibilidade institucional. Embora a CBO não regulamente profissões, ela funciona como referência para programas de emprego, editais e iniciativas públicas.

Para a mestra Iara Aparecida, o novo código representa mais do que identificação técnica. Segundo ela, trata-se de um passo que transforma o reconhecimento cultural em direito concreto. Além disso, a medida facilita a inclusão desses profissionais em políticas estruturadas.

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Construção coletiva fortalece política cultural no país

A decisão foi construída dentro de um Grupo de Trabalho criado em agosto de 2024, com participação de 18 ministérios, entidades, pesquisadores e representantes dos mestres da cultura popular de todas as regiões do país. Entre novembro de 2024 e agosto de 2025, foram realizadas nove reuniões para consolidar a proposta.

De acordo com o diretor Tião Soares, o processo tem dimensão social ao reconhecer saberes transmitidos entre gerações. Dessa forma, esse modelo de construção amplia a legitimidade das políticas públicas e fortalece a integração entre cultura e trabalho.

A CBO, criada em 2002, organiza as ocupações no país e serve de base para registros administrativos e estatísticas. Sua atualização depende de solicitação formal e análise técnica, o que reforça o caráter estruturado da inclusão.

Com mestres da cultura popular integrados à CBO, o Brasil avança na organização de políticas que conectam cultura, trabalho e desenvolvimento social. Assim, a tendência é de maior inclusão desses profissionais em programas públicos e expansão do reconhecimento institucional no cotidiano.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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