Categoria Cotidiano

A última Maravilha do Mundo: como foram construídas as Pirâmides de Gizé, no Egito?

As Pirâmides de Gizé mostram como o Egito Antigo organizou trabalho, engenharia e conhecimento para erguer monumentos duradouros. A arqueologia e a tecnologia atual ajudam a compreender quem construiu, como viveram os trabalhadores e o legado dessas obras.

Participe do nosso canal no WhatsApp
Getting your Trinity Audio player ready...

As Pirâmides de Gizé atravessaram milênios como testemunhas de uma sociedade capaz de planejar obras duradouras. Construídas há cerca de 4.500 anos, as pirâmides egípcias surgiram como parte de um complexo funerário pensado para a vida após a morte. Ao mesmo tempo, o conjunto de Gizé também revela escolhas práticas, conhecimento técnico e uma organização social que sustentou um dos maiores projetos da Antiguidade.

Pirâmides de Gizé e a lógica da construção

A edificação das Pirâmides de Gizé ocorreu durante a Quarta Dinastia, quando faraós como Khufu, Quéfren e Menkaure mobilizaram recursos de várias regiões do Egito. Nesse contexto, pesquisas arqueológicas sobre as pirâmides egípcias indicam que blocos de calcário e granito chegaram ao planalto por meio do Rio Nilo e de canais artificiais. Segundo especialistas, o uso de rampas, trenós e a lubrificação com água ou argila permitiu o deslocamento das pedras até grandes alturas no complexo de Gizé.

Apoio

Além disso, a experiência acumulada em pirâmides anteriores, como as de Snefru, ajudou a refinar técnicas de estabilidade e alinhamento usadas nas Pirâmides de Gizé. Como resultado, esse aprendizado explica por que a Grande Pirâmide alcançou proporções inéditas para a época, mantendo uma precisão notável na orientação aos pontos cardeais.

Vida cotidiana dos construtores egípcios

Escavações na chamada “Cidade Perdida das Pirâmides”, situada nas proximidades das Pirâmides de Gizé, mostram que os trabalhadores não eram escravizados, como se pensou durante muito tempo. Pelo contrário, os construtores das pirâmides do Egito viviam em alojamentos planejados, recebiam alimentação regular e tinham acesso a cuidados médicos. De acordo com o arqueólogo Mark Lehner, essa estrutura favorecia a rotatividade de equipes e, ao mesmo tempo, fortalecia laços sociais entre pessoas de diferentes regiões.

Além disso, as tumbas decoradas próximas ao complexo de Gizé reforçam esse retrato social ligado às Pirâmides de Gizé. Para o egiptólogo Peter Der Manuelian, as cenas registradas nas paredes mostram atividades agrícolas, ofícios e rituais, o que oferece um retrato amplo de como viviam os egípcios comuns.

Novas descobertas científicas

Atualmente, o estudo das Pirâmides de Gizé segue ativo graças ao uso de tecnologias recentes aplicadas à arqueologia. Desde 2015, o projeto ScanPyramids utiliza raios cósmicos para identificar espaços internos antes desconhecidos nas pirâmides egípcias. Segundo a maioria dos pesquisadores, esses vazios teriam função estrutural, ajudando a distribuir peso e tensão durante a obra.

Paralelamente, iniciativas como o Projeto Gizé disponibilizam acervos digitais e reconstruções em 3D do conjunto das Pirâmides de Gizé. Dessa forma, mesmo à distância, é possível compreender como essas construções ajudaram a moldar o Egito Antigo e, ainda hoje, continuam ampliando o conhecimento humano.