Durante a Feira da Indústria FIEC, realizada em Fortaleza em março de 2026, especialistas e gestores discutiram como as empresas podem se preparar para lidar com riscos psicossociais no trabalho, tema que ganha destaque diante das novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). Nesse contexto, o debate reuniu representantes da indústria, profissionais de saúde ocupacional e autoridades trabalhistas para analisar estratégias de gestão da saúde mental no ambiente corporativo.
O encontro, promovido pelo Serviço Social da Indústria (SESI Ceará), também reuniu representantes do setor produtivo, profissionais de saúde ocupacional e autoridades trabalhistas. Assim, o objetivo foi compartilhar experiências e orientar empresas sobre a gestão de fatores que afetam a saúde mental dos trabalhadores. Ao ampliar esse diálogo, o tema passa a ocupar espaço mais estruturado nas estratégias corporativas.
Riscos psicossociais no trabalho entram na agenda da indústria
A atualização da NR-1 reforça a necessidade de identificar e acompanhar fatores organizacionais que podem impactar o bem-estar dos trabalhadores. Assim, entre eles estão pressões excessivas, conflitos no ambiente laboral e sobrecarga de tarefas.
Segundo o auditor fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego no Ceará, Luís Freitas, esses fatores já fazem parte das normas de segurança e saúde ocupacional há décadas.
“Esses riscos já são previstos desde 1978. O que muda é que agora a gestão deles passa a ser cobrada de forma mais explícita”, explicou.
Dessa forma, a mudança exige que empresas adotem mecanismos mais claros de prevenção e registro dos riscos.
Saúde mental passa a integrar estratégias empresariais
A psicóloga e gestora de Recursos Humanos da Grande Moinho Cearense, Germana Costa, afirmou que o tema ganhou relevância dentro das empresas, especialmente após os impactos da pandemia nas rotinas de trabalho.
Segundo ela, discutir o tema com especialistas e órgãos públicos ajuda as organizações a compreender melhor como prevenir problemas relacionados à saúde mental, um dos fatores associados aos riscos psicossociais no trabalho, além de orientar a criação de políticas internas de cuidado com os trabalhadores.
Além disso, a médica do trabalho da Cerbras Cerâmicas do Brasil, Débora Lins, destacou que encontros técnicos ajudam a ampliar o conhecimento sobre o tema.
“Discutir esse assunto é essencial. É um tema desafiador e que traz muitos aprendizados”, afirmou.
Prevenção pode beneficiar trabalhadores e empresas
Outro ponto discutido foi a importância de avaliar e registrar riscos dentro das organizações. O gestor de Segurança e Saúde do Trabalho da Grande Moinho Cearense, Carneiro Júnior, destacou que a prevenção reduz adoecimentos e melhora o ambiente corporativo.
“Quando a empresa cuida da saúde do trabalhador, todos ganham: o trabalhador, a organização e o mercado”, afirmou.
Para a psicóloga do trabalho Suellen Soares, que acompanhou o debate, a discussão ajuda a ampliar a compreensão sobre os impactos da saúde mental no trabalho.
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Riscos psicossociais no trabalho e o futuro da gestão corporativa
Com o avanço das discussões sobre riscos psicossociais no trabalho, especialistas apontam que empresas tendem a integrar a saúde mental às políticas de segurança ocupacional. Assim, a expectativa é que esse processo fortaleça ambientes laborais mais saudáveis e contribua para organizações mais sustentáveis no longo prazo.