As pesquisas sobre autismo e evolução vêm transformando a forma como a ciência compreende o transtorno do espectro autista. Segundo o Diário Pcd, estudos recentes indicam que o autismo pode representar uma variação cognitiva ligada à evolução do cérebro humano. Dessa forma, a diferença deixa de ser vista apenas como déficit e passa a ser entendida como parte da diversidade humana.
As pesquisas sobre autismo e evolução ganharam destaque após um estudo da Universidade de Stanford, publicado na revista Molecular Biology and Evolution. O trabalho identificou uma evolução acelerada de neurônios excitatórios do neocórtex humano. Além disso, os pesquisadores observaram uma redução na expressão de genes ligados à proteção do neurodesenvolvimento.
Por isso, o estudo sugere que traços hoje associados ao autismo podem ser um “trade-off” evolutivo. Ou seja, essas características podem ter surgido como consequência das altas capacidades cognitivas humanas ao longo da história da espécie.
Pesquisas sobre autismo e evolução e a neurodiversidade
Nesse contexto, as pesquisas sobre autismo e evolução ajudam a deslocar o olhar médico tradicional. Em vez de tratar a diferença como patologia, os estudos reforçam a noção de diversidade cognitiva. Para a Autistas Brasil, esse avanço científico é fundamental para romper com visões historicamente patologizantes.
“Inegavelmente, Judy Singer estava certa ao propor a neurodiversidade como elemento essencial da vida social”, afirma Guilherme de Almeida, presidente da entidade.
Segundo ele, assim como a biodiversidade sustenta os ecossistemas, a diversidade cognitiva fortalece a criatividade, a adaptabilidade e a complexidade cultural.
Pesquisas sobre autismo e evolução e o aumento dos diagnósticos
As pesquisas sobre autismo e evolução também dialogam com dados internacionais sobre diagnósticos. Atualmente, estima-se que cerca de uma em cada 36 crianças seja diagnosticada com TEA nos Estados Unidos. Embora a ampliação dos critérios diagnósticos explique parte desse aumento, cientistas analisam fatores genéticos e evolutivos.
Nesse sentido, a teoria do “acasalamento assortativo”, proposta pelo neurocientista Simon Baron-Cohen, oferece uma possível explicação. Segundo a hipótese, sociedades altamente tecnológicas podem favorecer a união entre pessoas com perfis cognitivos semelhantes, ampliando a frequência de traços ligados à sistematização e ao espectro autista.
Pesquisas e políticas inclusivas
Diante desse cenário, as pesquisas sobre autismo e evolução reforçam a urgência do combate ao capacitismo. Além disso, a Autistas Brasil alerta para interpretações elitistas sobre inteligência e valor humano.
“O autismo não é um erro da natureza, mas um sinal de que o cérebro humano se transformou em múltiplas direções”, reforça Guilherme de Almeida.
Portanto, a entidade defende que o avanço científico caminhe junto com políticas públicas eficazes. Educação inclusiva, acesso à saúde e inclusão social são apontados como pilares essenciais. Reconhecer a neurodiversidade, inclusive, é apresentado como condição para a inovação e o futuro da humanidade.
