Os psicodélicos para depressão e ansiedade vêm ganhando espaço na ciência como alternativa em saúde mental. Em entrevista ao G1, o neurocientista Stevens Rehen, pesquisador do Instituto D’Or e professor da UFRJ, destacou que substâncias como a psilocibina são estudadas em protocolos clínicos para tratar depressão, ansiedade e estresse pós-traumático.
Segundo ele, “os estudos clínicos em andamento sugerem que eles são mais eficazes que os antidepressivos tarja preta conhecidos”. Contudo, especialistas reforçam que os resultados ainda exigem cautela e novos testes.
Atualmente, os ensaios clínicos mostram que a psilocibina pode reduzir sintomas de depressão maior. O efeito aparece após uma dose única, quando administrada junto a acompanhamento terapêutico. Publicações no New England Journal of Medicine (NEJM) e no JAMA Psychiatry confirmam que muitos pacientes apresentam melhora rápida, com queda significativa nos escores de depressão.
Psicodélicos para depressão e ansiedade e o impacto social
Além disso, a relevância dos psicodélicos para depressão e ansiedade se explica pela alta carga dessas doenças no Brasil. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o país tem a maior taxa de ansiedade do mundo, atingindo 9,3% da população. Cerca de 5,8% sofrem de depressão, mas nem todos têm acesso ao tratamento adequado.
Portanto, a busca por alternativas terapêuticas ganha importância. Novas opções podem ampliar respostas clínicas e reduzir o sofrimento de milhões de brasileiros.
No caso do transtorno de estresse pós-traumático, substâncias como o MDMA também apresentaram benefícios em estudos internacionais. Entretanto, em 2024, a FDA dos Estados Unidos decidiu não aprovar o tratamento e solicitou novos testes de fase 3. Isso reforça a necessidade de evidências mais robustas antes da liberação definitiva.
O que já é permitido no Brasil
Atualmente, os psicodélicos para depressão e ansiedade não estão disponíveis como tratamento no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classifica substâncias como a psilocibina e o MDMA na lista de proscritas, permitindo apenas o uso em pesquisas clínicas autorizadas.
Nos estudos, os pacientes passam por preparo, acompanhamento profissional durante a sessão e integração posterior. Assim, os riscos são reduzidos e o suporte é garantido. Os principais efeitos adversos relatados foram leves e temporários, como cefaleia, náusea e aumento da pressão arterial.
Caminhos para o futuro
Em resumo, embora ainda não exista consenso sobre superioridade em relação aos antidepressivos tradicionais, os psicodélicos para depressão e ansiedade oferecem um horizonte de esperança. Rehen destaca que se trata de um campo em expansão, capaz de transformar a forma de lidar com transtornos prevalentes em nossa sociedade.
Pesquisas internacionais seguem em andamento, enquanto no Brasil grupos acadêmicos acompanham o cenário regulatório. Para informações oficiais sobre substâncias controladas, consulte o site da Anvisa.