Categoria Turismo

Estátuas gigantes transformam a fé em novo motor do turismo no Ceará

Estátuas gigantes espalhadas pelo Ceará fortalecem o turismo religioso, atraem milhões de visitantes e ampliam a economia de cidades do interior e do litoral.

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As estátuas gigantes espalhadas pelo Ceará mudaram a paisagem e também o destino de cidades inteiras. Tradicionalmente associado ao litoral, o estado passou a atrair outro tipo de viajante. Agora, muitos buscam as esculturas religiosas gigantes, que se tornaram pontos de devoção, contemplação e identidade cultural. Em sete municípios, esses grandes monumentos religiosos deixaram de ser apenas símbolos espirituais. Assim, passaram a ocupar papel central no turismo regional.

Esse novo cenário ganhou força nos últimos anos. Em especial, após a criação da Rota do Turismo Religioso do Ceará, instituída em 2022. Ao integrar 19 cidades com templos, festas tradicionais e imagens monumentais, o roteiro ampliou o fluxo de visitantes. Com isso, regiões do sertão e do Cariri passaram a receber mais turistas. Além disso, dados reunidos pelo g1 indicam que, desde 2020, ao menos R$ 30 milhões foram destinados a obras, acessos e infraestrutura ligadas às estátuas gigantes, segundo reportagens publicadas no período.

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Fortalecimento do turismo religioso

Juazeiro do Norte segue como referência nacional quando o assunto são estátuas gigantes. O destaque é a imagem do beato Padre Cícero, inaugurada em 1969. O município recebe cerca de 2,5 milhões de turistas por ano, conforme o Ministério do Turismo. Já Canindé ultrapassa 1,5 milhão de visitantes anuais. Esse fluxo é impulsionado pela devoção a São Francisco de Assis e pela presença de um dos mais conhecidos monumentos religiosos de grande porte do país. Nesse contexto, hotéis, comércio popular e serviços se organizam em torno das romarias. Dessa forma, milhares de famílias garantem sua renda.

No Crato, a estátua gigante de Nossa Senhora de Fátima, inaugurada em 2025, ampliou ainda mais esse potencial. Com 54 metros, ela supera o Cristo Redentor. Além disso, integra um santuário preparado para receber romeiros e pequenos empreendedores. Para a secretária-executiva do Turismo do município, Anny Callou, o monumento fortalece a presença do Crato no turismo religioso nacional.

Estátuas gigantes como vetor de desenvolvimento regional

O impacto das estátuas gigantes também aparece em municípios menores. É o caso de Jucás, Barbalha e Campos Sales. Nessas cidades, as esculturas religiosas gigantes passaram a atrair visitantes ao longo de todo o ano. Em Jucás, a imagem de Nossa Senhora do Carmo, com 40 metros, ampliou a circulação turística. Isso ocorre até fora do calendário religioso tradicional. Já em Barbalha, a imagem monumental de Santo Antônio reforça o papel do Cariri como eixo de circulação entre Ceará, Paraíba e Pernambuco.

Segundo o professor Christian Dennys, da Universidade Federal do Ceará (UFC), as estátuas gigantes funcionam como representação simbólica de uma população majoritariamente católica. Esse cenário se insere em um contexto de mudanças religiosas no país. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 70,4% dos cearenses se declaram católicos. Esse percentual corresponde a cerca de 5,3 milhões de pessoas.

Com duas novas estátuas gigantes previstas para inauguração em 2026, em Caridade e Santana do Cariri, o Ceará amplia esse caminho. Assim, fé, identidade e turismo seguem conectados. Esses grandes monumentos religiosos continuam redesenhando rotas. Ao mesmo tempo, criam oportunidades e revelam um estado que encontrou, fora das praias, uma nova forma de acolher visitantes e projetar seu futuro.