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O El Helicoide, uma das construções mais conhecidas de Caracas, voltou ao debate público após o anúncio de que passará a funcionar como espaço esportivo, social, cultural e comercial. Com isso, a proposta sinaliza uma mudança no destino de um edifício que atravessou diferentes fases da história venezuelana e, hoje, concentra expectativas ligadas à abertura e ao uso coletivo.
El Helicoide e a retomada do uso público
Localizado em uma colina da capital, o El Helicoide surgiu na década de 1950 como um centro comercial inovador. À época, o projeto previa rampas helicoidais que permitiriam o acesso direto de automóveis às lojas. Embora tenha recebido atenção internacional, o complexo nunca entrou em funcionamento conforme o plano original. Com o passar dos anos, órgãos de segurança do Estado ocuparam o prédio, o que limitou o acesso da população ao espaço.
Nesse contexto, o anúncio oficial da conversão do local, feito pela presidente interina Delcy Rodríguez, reposiciona o El Helicoide dentro da dinâmica urbana de Caracas. Segundo o governo, a proposta busca integrar esporte, lazer, comércio e atividades culturais em um único complexo. Dessa forma, a iniciativa pretende ampliar a circulação de pessoas em uma área que permaneceu isolada do cotidiano da cidade por décadas.
Um edifício marcado pela história recente
Durante esse período, o El Helicoide manteve vínculo direto com o funcionamento de estruturas policiais e de inteligência. De acordo com organizações de direitos humanos, como o Foro Penal, centenas de pessoas estão presas no país, e algumas delas passaram pelo edifício. Após o anúncio, familiares de detentos se reuniram do lado de fora do local, onde expressaram expectativa por mudanças mais amplas no sistema prisional.
Além disso, o prédio passou a integrar o acompanhamento de organismos internacionais. A Organização das Nações Unidas denunciou detenções arbitrárias, enquanto o Tribunal Penal Internacional conduz investigações relacionadas ao período recente. Por outro lado, as autoridades venezuelanas sempre contestaram essas acusações e questionaram o alcance das apurações externas.
Entre memória e futuro
Diante da perspectiva de reabertura, o debate sobre o futuro do El Helicoide ganhou novos contornos. Para defensores dos direitos humanos, como Marino Alvarado, o espaço pode abrigar iniciativas voltadas à preservação da memória, de modo a evitar o apagamento das experiências vividas ali.
Assim, ao reunir arquitetura, história e novos usos urbanos, o El Helicoide passa a representar um desafio coletivo. A conciliação entre convivência, lembrança e reconstrução tende a definir o próximo capítulo do edifício, que pode deixar de ser um espaço fechado para se tornar um ponto de encontro, aprendizado e reflexão para a sociedade venezuelana.
