Pesquisa da Unifor usa realidade aumentada para inovar no tratamento de fobias

Pesquisa da Unifor explora realidade aumentada como ferramenta para ampliar o tratamento de fobias, permitindo exposição gradual a estímulos e monitoramento clínico durante a terapia.
paciente utiliza smartphone em terapia com tecnologia aplicada ao tratamento de fobias
Tecnologia baseada em realidade aumentada pode ampliar estratégias de tratamento de fobias com exposição gradual e acompanhamento psicológico. (Foto: Reprodução)

Pesquisadores da Universidade de Fortaleza (Unifor) desenvolvem uma tecnologia que busca ampliar as estratégias clínicas usadas no tratamento de fobias. O sistema, baseado em realidade aumentada, permite que pacientes enfrentem estímulos que provocam medo de forma gradual, dentro de um ambiente controlado e acompanhado por profissionais de psicologia.

A ferramenta, chamada EXPhobia, utiliza a câmera do smartphone para inserir elementos virtuais no ambiente real. Dessa forma, o paciente visualiza estímulos associados à fobia, como aranhas, enquanto o terapeuta pode ajustar a intensidade da exposição durante o processo. Além de ampliar recursos clínicos, a tecnologia cria um ambiente mais seguro para iniciar o enfrentamento do medo.

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Esse modelo de tratamento de fobias segue princípios da dessensibilização sistemática, técnica utilizada na psicologia clínica para reduzir respostas de ansiedade por meio de exposição gradual ao estímulo temido.

Tratamento de fobias com realidade aumentada permite exposição gradual

No sistema desenvolvido pelos pesquisadores da Unifor, diferentes características do estímulo podem ser controladas digitalmente. Entre os ajustes possíveis estão tamanho, distância do usuário, quantidade de aranhas e movimento do objeto virtual.

Essa possibilidade de adaptação permite iniciar o processo terapêutico em níveis mais leves e avançar gradualmente conforme a resposta emocional do paciente. Assim, a tecnologia ajuda a transformar o contato com o estímulo em uma experiência mais regulada dentro do tratamento de fobias.

Além da simulação visual, o sistema também registra indicadores que auxiliam o acompanhamento clínico. Questionários psicológicos, inventários e monitoramento da frequência cardíaca ajudam o terapeuta a observar as reações do paciente durante a exposição.

Esse conjunto de dados contribui para decisões terapêuticas mais precisas e permite acompanhar o progresso ao longo das sessões. Ao mesmo tempo, abre espaço para integrar recursos digitais às práticas tradicionais da psicologia.

Pesquisa integra psicologia, computação e tecnologias em saúde

O desenvolvimento do EXPhobia reúne especialistas de diferentes áreas da Universidade de Fortaleza. A pesquisa envolve o Laboratório de Investigações em Análise do Comportamento (LiNAC), responsável pela base teórica da intervenção, além da Diretoria de Tecnologia (DTec), que colaborou na criação do protótipo.

O Centro de Ciências da Saúde da instituição também participou dos testes iniciais conduzidos com apoio do curso de Psicologia. Segundo o professor Tauily Taunay, responsável pelo estudo, a proposta é integrar tecnologia baseada em evidências ao processo clínico tradicional.

De acordo com ele, o sistema não substitui o acompanhamento profissional, mas amplia os instrumentos disponíveis no tratamento de fobias, oferecendo novas possibilidades para conduzir intervenções baseadas em exposição.

Tecnologia pode ampliar estratégias terapêuticas

A pesquisa teve como foco inicial a aracnofobia, considerada uma das fobias específicas mais comuns. A escolha ocorreu porque esse tipo de estímulo permite variações graduais de intensidade, facilitando o desenvolvimento de simulações digitais para o processo terapêutico.

Os testes iniciais indicaram viabilidade técnica, aceitabilidade entre usuários e sinais preliminares de impacto terapêutico. O protótipo também foi apresentado em 2019 na International Conference on Health Informatics, realizada em Praga, e posteriormente descrito em publicação científica sobre tecnologias digitais em saúde.

Apesar desses avanços, o projeto segue em fase de aprofundamento científico e atualmente encontra-se suspenso enquanto os pesquisadores buscam metodologias experimentais mais robustas para avaliar a eficácia clínica da tecnologia.

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O avanço de ferramentas como realidade aumentada e saúde móvel aponta novos caminhos para o tratamento de fobias. Ao integrar tecnologia e acompanhamento psicológico, pesquisas desse tipo indicam possibilidades de tornar intervenções mais adaptáveis e monitoradas.

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Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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