Nova tecnologia com “cristais de memória” promete armazenar mais dados com menos energia

Cristais de memória podem armazenar até 360 TB com menor consumo energético e despontam como alternativa viável aos data centers tradicionais.
Cientista segura disco de vidro usado em cristais de memória para armazenamento de dados
Pesquisador apresenta disco de vidro com tecnologia de cristais de memória, capaz de armazenar grandes volumes de dados com menor consumo de energia. (Foto: Reprodução/SPhotonix)

Os cristais de memória começam a ganhar espaço como alternativa ao modelo atual de armazenamento digital. Em fevereiro de 2026, um avanço divulgado pela Microsoft indicou o uso de vidro comum para guardar grandes volumes de dados com menor gasto energético, o que reforça o potencial dessa tecnologia para ampliar capacidade e reduzir custos.

A tecnologia permite registrar informações em estruturas microscópicas dentro do vidro, ampliando a capacidade sem exigir energia contínua, como ocorre nos data centers. Isso abre caminho para soluções mais econômicas e sustentáveis, especialmente diante do crescimento acelerado de dados no mundo.

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Cristais de memória ampliam capacidade sem elevar consumo

Diferente dos sistemas tradicionais, os cristais de memória operam com gravação em cinco dimensões, o que aumenta a densidade de dados armazenados. Na prática, um único disco de vidro pode atingir até 360 terabytes, segundo estudos recentes.

Além disso, o consumo energético ocorre apenas no momento da gravação. Isso reduz a necessidade de infraestrutura permanente ligada, o que tende a aliviar custos operacionais e impacto ambiental, um ponto relevante para empresas e serviços digitais em expansão.

Crescimento de dados pressiona novas soluções

A busca por alternativas se intensifica com o avanço dos cristais de memória, sobretudo porque o volume global de dados segue em rápida expansão. Projeções da IDC indicam que a produção anual pode alcançar 394 trilhões de zettabytes até 2028.

Hoje, grande parte dessas informações depende de data centers, que respondem por cerca de 1,5% da eletricidade mundial. Além disso, exigem água, espaço físico e manutenção constante, o que pressiona custos e recursos naturais.

Do laboratório ao mercado: testes já estão em andamento

Embora a base científica dos cristais de memória exista desde 1999, a aplicação prática avança agora com novos investimentos e testes. A SPhotonix, empresa criada por Peter Kazansky e seu filho em 2024, já captou US$ 4,5 milhões para desenvolver protótipos.

Ao mesmo tempo, a Microsoft demonstrou o uso de vidro de borossilicato, material comum e mais barato, o que reforça a viabilidade econômica da tecnologia. Ainda assim, há desafios, como a necessidade de proteção física dos discos contra impactos.

Cristais de memória ganham espaço frente a outras tecnologias

Outras alternativas, como o armazenamento em DNA, também avançam e oferecem alta durabilidade, mas ainda enfrentam custos elevados de leitura. Nesse cenário, os cristais de memória se destacam por equilibrar capacidade, custo e eficiência.

Com testes previstos para os próximos anos, os cristais de memória podem se consolidar como uma solução prática para sustentar o crescimento digital. Se confirmarem escala e custo competitivo, tendem a ampliar o acesso ao armazenamento e reduzir o impacto energético da infraestrutura global.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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