O cenário corporativo brasileiro atravessou uma revolução silenciosa em 2025: a sustentabilidade empresarial deixou de ser mera questão reputacional para se consolidar como estratégia indispensável de sobrevivência financeira. Dessa forma, dados da Controladoria-Geral da União e análises de mercado revelam que ética eimpacto socioambiental agora determinam a competitividade das organizações.
Pela primeira vez, o Programa Empresa Pró-Ética da CGU incorporou critérios de direitos humanos, diversidade e responsabilidade socioambiental em suas avaliações. Consequentemente, das 202 empresas analisadas, aquelas aprovadas recebem um selo que amplia credibilidade e competitividade, especialmente em licitações públicas. Assim, a mudança sinaliza que a sustentabilidade empresarial integra oficialmente os requisitos de integridade corporativa no país.
Os números que provam: sustentabilidade empresarial é rentável
Por outro lado, o mercado financeiro comprova a viabilidade econômica das práticas sustentáveis. De fato, em 2025, fundos movimentaram mais de US$ 3 trilhões em ativos sustentáveis globalmente. Além disso, empresas líderes em descarbonização registraram retornos até 8% superiores aos concorrentes, enquanto títulos sustentáveis renderam 11,99% entre 2022 e 2025, superando índices convencionais.
Paralelamente, a sustentabilidade empresarial também se tornou auditável: as normas IFRS S1 e S2 transformaram relatórios de sustentabilidade em documentos com o mesmo rigor das demonstrações financeiras tradicionais.
Escudo contra riscos climáticos
Entretanto, a ausência de práticas sustentáveis representa risco financeiro real. Por exemplo, no Rio Grande do Sul, de R$ 89 bilhões em perdas por eventos climáticos extremos, apenas R$ 6 bilhões estavam segurados. Portanto, essa “lacuna de proteção” evidencia que a sustentabilidade empresarial é também uma estratégia de resiliência operacional.
Em entrevista à ABC Contabilidade, a consultora Bruna Sabóia enfatiza: “O futuro da sustentabilidade será definido pela coerência entre propósito e performance. As empresas que desejam permanecer relevantes precisam repensar suas formas de operar, de se relacionar e de gerar valor.”
De acordo com especialistas, 64% dos consumidores já consideram sustentabilidade entre as três principais razões de compra. Ademais, mais de 80% aceitam pagar mais por produtos sustentáveis. Nesse contexto, o mercado de carbono brasileiro pode movimentar US$ 15 bilhões anuais até 2030.
Em suma, a mensagem é definitiva: sustentabilidade empresarial não é mais opção, mas ciência de sobrevivência corporativa no longo prazo.
