A gestão de resíduos tem se consolidado como um dos pilares centrais para a redução das emissões de gases de efeito estufa no ambiente urbano. Dentro desse cenário, um estudo da consultoria internacional S2F Partners revela que cidades com cerca de 100 mil habitantes podem reduzir suas emissões em 33,5% ao adotar um nível intermediário de administração.
Esse modelo de gestão de resíduos, por sua vez, inclui coleta universal, reciclagem em torno de 6% e destinação final em aterros sanitários. Além disso, a manejo adequado do lixo prevê a captação e a queima do gás metano, um dos principais responsáveis pelo aquecimento global quando liberado sem controle na atmosfera.
Avanço da gestão de resíduos amplia a descarbonização urbana
De acordo com o levantamento, a redução das emissões pode chegar a 61,7% em municípios que implementam sistemas avançados de gestão de resíduos. Nesse contexto, o aprimoramento vai além da coleta e da destinação adequadas. Também envolve práticas mais eficientes de reciclagem, reaproveitamento de materiais e aproveitamento energético do biogás.
Para Carlos Silva Filho, sócio da S2F Partners e membro do conselho da Organização das Nações Unidas (ONU) para resíduos, a adoção de modelos mais avançados de gestão de resíduos contribui diretamente para a descarbonização das cidades. Segundo ele, os benefícios da gestão eficiente de resíduos extrapolam a questão climática. Entre eles, estão melhorias na saúde pública, geração de emprego, valorização imobiliária e proteção ambiental.
Lixões ainda representam desafio estrutural no Brasil
Apesar do potencial da gestão de resíduos, a realidade brasileira ainda apresenta entraves significativos. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) indicam que o país mantém cerca de 1,6 mil lixões em operação. Além disso, existem aproximadamente 300 aterros controlados. No total, são cerca de 1,9 mil unidades de destinação inadequada, o que evidencia falhas históricas no Brasil.
Essas estruturas, em sua maioria, não possuem licenciamento ambiental. Da mesma forma, não adotam sistemas adequados de tratamento de gases e chorume. Como consequência, a ausência de uma gestão de resíduos adequada amplia os riscos ambientais e sanitários.
Gestão de resíduos e saúde pública
O presidente da Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente (ANAMMA), Marçal Cavalcanti, alerta que lixões e aterros sem controle representam uma ameaça direta à saúde da população. Segundo ele, a precariedade na gestão de resíduos favorece a poluição do ar. Além disso, contribui para a contaminação do solo e da água. Outro impacto relevante é a proliferação de insetos e doenças.
Nesse contexto, a gestão de resíduos deixa de ser apenas uma pauta ambiental. Assim, passa a ocupar um papel estratégico nas políticas públicas de saúde e na melhoria da qualidade de vida urbana.
Por fim, a adoção de sistemas eficientes de gestão de resíduos sólidos aponta para um caminho viável no enfrentamento das mudanças climáticas nas cidades brasileiras. Além de reduzir emissões, o manejo fortalece a economia circular. Ao mesmo tempo, estimula a inovação tecnológica e amplia a sustentabilidade dos centros urbanos.
O estudo reforça que investir em gestão de resíduos não é apenas uma obrigação ambiental, mas uma estratégia com impactos diretos no desenvolvimento urbano sustentável.
