Exportação de barbatana do tubarão-azul é proibida e amplia proteção ambiental

A exportação de barbatana de tubarão foi proibida no Brasil, fechando brechas no comércio e reforçando a proteção de espécies ameaçadas com base em acordos internacionais.
exportação de barbatana de tubarão proibida no Brasil mostra apreensão do produto
Barbatanas apreendidas ilustram nova regra que proíbe a exportação de barbatana de tubarão no Brasil. (Foto: Ibama/Gov.Br)

A proteção de espécies marinhas ganha reforço no Brasil com a proibição da exportação de barbatana de tubarão, medida anunciada, na quinta-feira (26/03), pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Com isso, a decisão fecha brechas no comércio internacional e, além disso, deve entrar em vigor em até sete dias após a publicação da norma.

Com a nova regra, barbatanas não poderão mais ser comercializadas separadamente do corpo do animal, o que, por sua vez, dificulta a circulação desse tipo de produto no mercado global. Dessa forma, o país reforça o controle sobre a cadeia comercial ligada a espécies vulneráveis. Ao mesmo tempo, esse ajuste regulatório amplia a capacidade de fiscalização ambiental.

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Exportação de barbatana de tubarão fecha lacuna no comércio

Antes da nova regra, o Brasil já proibia o chamado finning, prática que consiste na retirada das barbatanas e devolução do animal ao mar. No entanto, até então, não havia restrição específica para a exportação das partes separadas, o que acabava permitindo brechas no comércio.

Agora, a exportação de barbatana de tubarão passa a ser diretamente regulada, tornando, assim, mais coerente o conjunto de normas ambientais já existentes. Além disso, a medida reduz a possibilidade de que produtos derivados de espécies ameaçadas circulem legalmente, mesmo diante de restrições anteriores, o que amplia o alcance da proteção.

Nova regra alinha Brasil a acordos internacionais

O tubarão-azul está listado no Anexo II da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites), tratado do qual o Brasil é signatário. Nesse contexto, a decisão também incorpora diretrizes da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS).

Assim, essa integração fortalece o alinhamento entre a legislação nacional e compromissos internacionais, inclusive no que diz respeito à exportação de barbatana de tubarão. Além disso, a internalização dessas regras ocorreu após consenso firmado na COP15, realizada em Campo Grande (MS), o que, consequentemente, torna a aplicação dessas medidas obrigatória no país e reforça o controle sobre esse tipo de comércio.

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Controle de importações amplia proteção das espécies

Além da exportação, o Brasil também passa a restringir a importação de espécies ameaçadas listadas nos anexos da CMS, ampliando o controle sobre práticas relacionadas à exportação de barbatana de tubarão. A medida, portanto, responde à identificação de entrada desses produtos no país, mesmo com restrições anteriores, e reforça o monitoramento desse comércio.

Com isso, o controle passa a abranger tanto a saída quanto a entrada de itens ligados a espécies protegidas. Dessa maneira, esse reforço amplia a efetividade das políticas ambientais e contribui para reduzir pressões sobre populações de tubarões em escala global.

Nesse cenário, a proibição da exportação de barbatana de tubarão tende a fortalecer a atuação do Brasil no combate ao comércio de espécies ameaçadas e, ao mesmo tempo, a incentivar práticas mais sustentáveis. Assim, a expectativa é que a medida contribua para maior integração entre fiscalização, legislação e compromissos internacionais, ampliando os efeitos práticos na preservação ambiental.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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