O plano federal para tornar cidades verdes uma diretriz do planejamento urbano brasileiro projeta elevar a reciclagem de resíduos para 34,5% até 2035, ampliando a coleta seletiva e a estrutura de triagem nas cidades. Divulgada em 6 de março, a estratégia integra metas ambientais voltadas à melhoria da qualidade urbana e ao fortalecimento da gestão de resíduos.
Atualmente, a taxa oficial de reaproveitamento de resíduos urbanos no país é de 1,82%, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento. Nesse contexto, o programa voltado à promoção de cidades verdes busca ampliar a recuperação de materiais recicláveis secos e resíduos orgânicos por meio de infraestrutura e incentivos à reciclagem. Esse objetivo abre espaço para mudanças na gestão do lixo urbano em diferentes regiões do país.
Cidades verdes conectam reciclagem, mobilidade e planejamento urbano
O Programa Cidades Verdes Resilientes (PCVR) foi instituído em 2024 pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, em parceria com o Ministério das Cidades e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
A iniciativa reúne metas voltadas à gestão ambiental urbana, planejamento territorial e adaptação climática. A proposta combina ações em mobilidade sustentável, eficiência energética, manejo de resíduos e preservação de recursos naturais. Com isso, a estratégia de cidades verdes amplia o papel dos centros urbanos na agenda ambiental brasileira.
Além disso, entre os objetivos definidos está a ampliação da cobertura vegetal nas áreas urbanas. Assim, o plano prevê expansão de 180 mil hectares de áreas verdes até 2035, além da meta de que 57% da população viva em ruas com três ou mais árvores.
A arborização urbana aparece como uma das ferramentas para melhorar o conforto térmico e a qualidade ambiental nos centros urbanos, além de reduzir impactos associados ao calor nas cidades.
Metas incluem mobilidade ativa e tecnologias de baixo carbono
Outro eixo do programa envolve mudanças na forma de deslocamento nas cidades verdes. Assim, o plano prevê ampliar a mobilidade ativa, com incentivo ao uso de bicicleta e deslocamentos a pé.
As metas preveem 34,5% de mobilidade ativa até 2030 e 44,5% até 2050, para reduzir emissões e melhorar a qualidade urbana.
Além disso, o plano prevê que 30% das cidades adotem tecnologias urbanas de baixo carbono e que 35% dos municípios ampliem sua capacidade de adaptação climática.
Rede de cooperação busca acelerar implantação
A estratégia também inclui a criação de uma rede de cooperação entre governos, universidades, organizações da sociedade civil e setor privado. Assim, o objetivo é ampliar a troca de conhecimento e apoiar projetos urbanos sustentáveis associados à agenda de cidades verdes.
Estados, municípios e consórcios públicos podem aderir ao programa por meio de termo de compromisso. A participação permite acesso a apoio técnico, capacitação e oportunidades de financiamento para projetos ambientais urbanos.
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Cidades verdes e o avanço da agenda urbana sustentável
A agenda de cidades verdes sinaliza uma estratégia de longo prazo para integrar desenvolvimento urbano e proteção ambiental. Assim, ao estabelecer metas de reciclagem, arborização e mobilidade sustentável, o plano cria parâmetros para políticas urbanas mais sustentáveis.
Nos próximos anos, a adesão de estados e municípios pode ampliar a infraestrutura ambiental e fortalecer a qualidade ambiental nas cidades brasileiras.