A busca por soluções climáticas ganhou um novo capítulo com a captura de carbono em navios, uma tecnologia que promete transformar poluição em rocha sólida. Segundo a Fast Company Brasil, a startup britânica Seabound desenvolveu um sistema capaz de capturar até 95% do CO₂ emitido pelo escapamento de navios cargueiros. Assim, uma estrutura semelhante a um contêiner comum pode ajudar a enfrentar um dos setores mais difíceis de descarbonizar.
A captura de carbono em navios surge como resposta a um cenário preocupante. Em 2024, os cargueiros emitiram 973 milhões de toneladas de CO₂, o equivalente a cerca de 2,5% das emissões globais. Além disso, o transporte marítimo enfrenta desafios estruturais, pois as embarcações têm vida útil de décadas e não conseguem migrar rapidamente para combustíveis como metanol verde ou amônia verde, que ainda são escassos e custam de duas a três vezes mais.
Captura transforma CO₂ em calcário
“A indústria naval é um dos últimos setores difíceis de descarbonizar”, afirma Alisha Fredriksson, CEO da Seabound, que fundou a empresa em 2021.
Portanto, enquanto a transição energética avança lentamente, soluções intermediárias tornam-se essenciais.
A captura de carbono em navios funciona por meio de contêineres modulares instalados próximos ao motor. Dentro deles, milhões de esferas de hidróxido de cálcio reagem com o CO₂ do escapamento e o transformam em carbonato de cálcio, ou calcário. Consequentemente, cada módulo consegue reter aproximadamente um dia inteiro de emissões.
Quando o navio chega ao porto, os contêineres são descarregados e o material pode ser vendido como insumo para construção civil. Alternativamente, o CO₂ pode ser extraído novamente para armazenamento ou reutilização industrial. Embora o sistema capture até 95% diretamente do escapamento, a eficiência total do processo deve ficar próxima de 80%, podendo alcançar até 90% com aprimoramentos e uso de “cal verde”.
Captura de carbono em navios ganha força na Europa
A captura de carbono em navios começa a avançar comercialmente na Europa, onde regulações ambientais são mais rígidas. O primeiro cliente da Seabound é a Heidelberg Materials, que utilizará a tecnologia em um navio de transporte de cimento na costa da Noruega. Posteriormente, o calcário capturado será usado na produção de cimento.
Atualmente, cerca de 60 mil navios cargueiros operam no mundo. Portanto, embora a adoção global represente um grande desafio, o setor já demonstrou capacidade de adaptação, como ocorreu com sistemas de controle de enxofre. Além disso, com o transporte marítimo incluído no sistema de comércio de emissões da União Europeia, a pressão regulatória tende a acelerar mudanças.
Dessa forma, a captura de carbono em navios desponta como alternativa concreta enquanto combustíveis de emissão zero não se tornam amplamente disponíveis. Assim, além de reduzir a pegada de carbono do transporte marítimo, a inovação aponta para um futuro em que até mesmo emissões negativas podem se tornar realidade.
