Em um cenário global de busca por transporte mais limpo, caminhões no Brasil apresentam hoje a menor pegada de carbono do mundo no segmento de veículos pesados. A constatação aparece em estudo divulgado em março pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em parceria com o Boston Consulting Group (BCG). A análise considera todo o ciclo de vida do veículo, desde a extração de matérias-primas até o descarte final.
Esse método, conhecido como avaliação “do berço ao túmulo”, mede impactos ambientais em toda a cadeia produtiva. O levantamento indica que o transporte de carga brasileiro já opera com uma das combinações energéticas mais limpas entre os grandes mercados globais. E isso ajuda a explicar por que o país se destaca mesmo em um setor tradicionalmente associado a emissões.
Caminhões no Brasil avançam com biodiesel e energia renovável
Um dos fatores que explicam o desempenho ambiental é a matriz elétrica brasileira. Cerca de 90% da energia gerada no país vem de fontes renováveis, o que reduz emissões tanto na produção industrial quanto no uso dos veículos.
Além disso, o uso de biocombustíveis, especialmente o biodiesel, contribui para reduzir a emissão de dióxido de carbono. No caso dos caminhões no Brasil, modelos urbanos que operam com a mistura B15 (15% de biodiesel) registram níveis de CO₂ inferiores aos de caminhões totalmente elétricos que circulam na China, de acordo com o estudo.
A diferença ocorre principalmente por causa da matriz energética chinesa, mais dependente de combustíveis fósseis. Como resultado, o modelo elétrico naquele país pode emitir mais que o triplo de um caminhão similar operando no Brasil com biodiesel. Esse contraste revela como a origem da energia influencia o impacto ambiental do transporte.
Biometano amplia opções de transporte de carga sustentável
Outra tecnologia apontada como promissora é o biometano, combustível renovável produzido a partir de resíduos orgânicos. O estudo indica que caminhões operando com BioGNV 100% apresentam desempenho ambiental elevado em rotas rodoviárias de longa distância.
Segundo o relatório encomendado pelas fabricantes brasileiras que utilizam essa tecnologia alcançam níveis de emissão inferiores aos observados em soluções atualmente adotadas em mercados como Estados Unidos e Europa. O dado reforça o desempenho ambiental associado aos caminhões no Brasil dentro das estratégias globais de transporte de carga com menor emissão.
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Indústria automotiva incorpora práticas de economia circular
Além do combustível utilizado, práticas industriais também contribuem para reduzir impactos ambientais. Na fábrica da Iveco em Sete Lagoas (MG), por exemplo, um sistema de osmose reversa permite reutilizar cerca de 14.500 m³ de água desmineralizada por mês no processo produtivo.
A empresa também aplica princípios de economia circular. Em sua unidade de Córdoba, na Argentina, 94 toneladas de metal e alumínio foram reaproveitadas para fabricar 900 volantes de inércia e 2.000 conjuntos de pedais, prolongando o ciclo de uso dos materiais.
Caminhões no Brasil e a transição energética no transporte
No conjunto, os resultados indicam que caminhões no Brasil já operam em um cenário favorável para reduzir emissões no transporte de carga. Assim, a combinação entre biocombustíveis, energia renovável e inovação industrial cria uma base concreta para ampliar a descarbonização do setor.
Com a expansão de soluções como biodiesel avançado e biometano, o país tende a fortalecer sua posição em logística de baixa emissão, ampliando alternativas práticas para tornar o transporte rodoviário cada vez mais eficiente do ponto de vista ambiental.