O som forte e inconfundível ecoando entre as árvores voltou a emocionar o Rio de Janeiro. As araras-canindés na Floresta da Tijuca representam mais do que um espetáculo visual: simbolizam um reencontro histórico entre a cidade e sua biodiversidade, após mais de 200 anos de ausência. Segundo reportagem do g1, a iniciativa marca um dos mais relevantes projetos de restauração ambiental já realizados em área urbana no país.
As araras-canindés na Floresta da Tijuca estavam extintas do município do Rio de Janeiro desde o início do século XIX. Conforme registros históricos, o último avistamento confirmado da espécie em vida livre ocorreu em 1818. Desde então, o avanço urbano e a perda de habitat afastaram essas aves, que são nativas da América do Sul e consideradas um símbolo do Brasil.
Entretanto, agora, o Parque Nacional da Tijuca recebeu quatro indivíduos — três fêmeas e um macho — dando início a um processo inédito de reintrodução. Dessa forma, o retorno marca uma virada concreta na preservação da fauna e na reconexão da cidade com sua história natural.
Araras-canindés na Floresta da Tijuca e o início da reintrodução em 2025
As araras-canindés na Floresta da Tijuca começaram o processo de reintrodução em junho de 2025. Na ocasião, as aves saíram de um parque localizado em Aparecida, no interior de São Paulo, e percorreram cerca de 280 quilômetros até o Rio de Janeiro.
Logo depois da chegada, equipes técnicas iniciaram o período de aclimatação em um viveiro construído especialmente dentro da floresta. Assim, os pesquisadores garantiram que as aves reconhecessem alimentos naturais e se adaptassem ao ambiente antes da soltura definitiva, reduzindo riscos e aumentando as chances de sucesso.
Araras-canindés na Floresta da Tijuca e o impacto ecológico
Além da beleza, as araras-canindés na Floresta da Tijuca desempenham um papel ecológico essencial. Essas aves contribuem diretamente para a dispersão de sementes de árvores nativas da Mata Atlântica. Como voam por longas distâncias, espalham diferentes espécies vegetais e fortalecem a regeneração da floresta.
Por isso, o projeto vai além do simbolismo. A iniciativa é liderada pelo Refauna, projeto de restauração ecológica, com apoio do ICMBio, gestor do parque.
“Muito emocionante encontrar esse animal completamente solto, ao ar livre, voando dentro dessa floresta”, afirmou Luísa Genes, diretora científica do Refauna.
Um compromisso contínuo com a biodiversidade urbana
Atualmente, as araras-canindés na Floresta da Tijuca seguem sendo monitoradas por equipes especializadas, com identificação individual. Além disso, o planejamento prevê novas reintroduções ao longo dos próximos anos. Dessa maneira, o sucesso do projeto depende diretamente do compromisso coletivo com a proteção dos parques urbanos.
