Vacina da dengue do Butantan aponta proteção de 5 anos contra casos graves

A vacina da dengue desenvolvida pelo Butantan mostrou proteção contra formas graves por cinco anos em estudo com mais de 16 mil voluntários e já começou a ser aplicada no Brasil.
aplicação da vacina da dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan em campanha de imunização
Profissional de saúde prepara dose da vacina da dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, imunizante que demonstrou proteção prolongada contra formas graves da doença. (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Um estudo clínico publicado na quarta-feira (04/03) na revista científica Nature Medicine trouxe novos dados sobre a eficácia da vacina da dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A pesquisa indicou que o imunizante oferece proteção prolongada contra as formas mais graves da doença por pelo menos cinco anos, resultado observado no acompanhamento de voluntários ao longo desse período.

Durante a análise, os pesquisadores acompanharam participantes vacinados e identificaram redução expressiva do risco de complicações associadas ao vírus. Os resultados ajudam a ampliar as perspectivas de prevenção da dengue e reforçam o potencial da vacina da dengue como ferramenta de saúde pública no país.

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Vacina da dengue reforça proteção contra casos graves

Durante os cinco anos de acompanhamento do estudo, nenhum participante vacinado desenvolveu dengue grave. Apenas seis pessoas apresentaram sintomas com sinais de alerta. Para especialistas, esse tipo de monitoramento prolongado permite avaliar não apenas a eficácia inicial, mas também a segurança ao longo do tempo.

Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), esse acompanhamento é fundamental porque a dengue costuma apresentar quadros mais intensos na segunda infecção. Nesse cenário, a pesquisa busca verificar se a vacinação mantém proteção sem gerar aumento de risco. Além disso, os resultados também ajudam a orientar estratégias de vacinação no país.

Dose única facilita campanhas de vacinação

Um dos diferenciais da vacina da dengue desenvolvida pelo Butantan é o esquema de dose única. Diferentemente de outras vacinas contra o vírus, que exigem duas ou três aplicações, o imunizante brasileiro foi projetado para estimular resposta imunológica completa com apenas uma aplicação.

Esse formato simplifica a logística de campanhas públicas e pode ampliar a cobertura vacinal. Programas de imunização com menos etapas tendem a alcançar maior adesão da população, além de facilitar a distribuição em diferentes regiões.

Vacina nacional já começou a ser aplicada

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a vacina da dengue em novembro de 2025 para pessoas de 12 a 59 anos. Desde então, cerca de 1,3 milhão de doses foram enviadas ao Programa Nacional de Imunizações, responsável pela distribuição no Sistema Único de Saúde.

A vacinação começou em janeiro de 2026 em três cidades brasileiras — Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP). O projeto piloto busca imunizar cerca de 90% do público-alvo, etapa que permite avaliar a implementação antes de uma expansão mais ampla.

Além da vacinação, especialistas lembram que a prevenção da dengue também depende do controle do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus. A combinação entre imunização e redução de criadouros pode diminuir a circulação da doença.

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Pesquisa sobre a analisa resposta contra diferentes variantes do vírus

O Instituto Butantan projetou a vacina da dengue como tetravalente, capaz de estimular proteção contra quatro sorotipos do vírus: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Durante o período analisado no Brasil, os tipos 1 e 2 circularam com maior frequência, o que permitiu medir a eficácia principalmente contra essas variantes.

Mesmo assim, os pesquisadores identificaram produção de anticorpos contra todos os sorotipos, indicando potencial de proteção mais amplo. Assim, a expectativa é que novos estudos em outros países contribuam para ampliar a avaliação.

Perspectivas para o controle da doença com vacina da degue

Com os resultados do acompanhamento de cinco anos, a vacina da dengue passa a integrar um conjunto mais amplo de estratégias de prevenção no país. A combinação entre vacinação, vigilância epidemiológica e redução de focos do mosquito pode contribuir para diminuir o impacto da doença nas cidades brasileiras.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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