A autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o Xcopri® (cenobamato) abre uma nova alternativa de tratamento para adultos com crises focais que continuam ocorrendo mesmo após o uso de dois tratamentos diferentes. Publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira (10/03), a decisão libera no país mais um medicamento para epilepsia voltado a pacientes com maior dificuldade de controle da doença.
Essa nova opção terapêutica atende justamente um grupo de pacientes que costuma enfrentar mais obstáculos para controlar a condição. Estimativas indicam que cerca de 30% das pessoas com epilepsia continuam apresentando crises mesmo com tratamentos disponíveis. Assim, a chegada de outro medicamento para epilepsia amplia as estratégias clínicas disponíveis.
O produto é fabricado pela Momenta Farmacêutica Ltda. e atua como um antiepiléptico. Nesse sentido, o princípio ativo cenobamato ajuda a reduzir a atividade elétrica anormal no cérebro, mecanismo associado à diminuição da ocorrência de crises.
Estudos indicam redução relevante das crises
Os resultados de estudos clínicos indicam efeito expressivo na redução das crises. Entre pacientes que utilizaram dose diária de 100 mg, cerca de 40% tiveram diminuição de pelo menos metade das crises registradas.
Quando a dose diária chegou a 400 mg, aproximadamente 64% dos participantes apresentaram a mesma redução. No grupo que recebeu placebo, 26% dos pacientes apresentaram melhora, resultado que reforça o impacto clínico relevante do medicamento para epilepsia.
Além de reduzir episódios convulsivos, tratamentos eficazes tendem a favorecer maior previsibilidade na rotina. Assim, isso pode contribuir para diminuir limitações no trabalho, na vida social e em atividades cotidianas.
Caminho até chegar às farmácias e ao SUS
Apesar da aprovação sanitária, o novo medicamento para epilepsia ainda não pode ser comercializado imediatamente no país. Antes disso, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) precisa definir o preço máximo de venda.
Da mesma forma, a eventual oferta pelo Sistema Único de Saúde também depende de etapas adicionais. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) deverá avaliar a tecnologia antes de qualquer decisão do Ministério da Saúde.
Além disso, o medicamento possui ainda uma restrição de segurança. Pessoas com síndrome do QT curto familiar, uma alteração genética rara associada a arritmias cardíacas, não devem utilizar o produto.
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Medicamento para epilepsia e perspectivas para pacientes
De modo geral, o avanço regulatório representa um passo importante na ampliação das opções terapêuticas disponíveis no país. Assim, para pacientes que convivem com crises persistentes, cada nova alternativa pode contribuir para estratégias de tratamento mais personalizadas.
Nos próximos meses, a definição de preço e a análise sobre possível incorporação ao sistema público indicarão como o medicamento para epilepsia poderá chegar aos pacientes brasileiros e ampliar o acesso a terapias mais recentes.