O Brasil passa a produzir, pela primeira vez, o insumo para produção do Buscopan, com a inauguração de uma nova unidade industrial nesta quinta-feira (26/03), em Anápolis. Na prática, a iniciativa permite garantir uma oferta mais estável do medicamento e reduzir riscos de desabastecimento no Sistema Único de Saúde (SUS).
Com a produção nacional do insumo farmacêutico ativo, o Brasil passa a dominar todo o ciclo, do cultivo da planta até o medicamento final. Dessa forma, o fornecimento deixa de depender exclusivamente de importações, o que amplia a previsibilidade para hospitais e unidades básicas e abre espaço para mais acesso contínuo ao tratamento.
Insumo para produção do Buscopan garante mais estabilidade no SUS
A nova estrutura tem capacidade para produzir até 30 toneladas por ano do insumo, em uma área de 47 mil metros quadrados. Além disso, o cultivo da matéria-prima ocorre no Paraná, com potencial de até 600 toneladas anuais de folhas, o que reforça a cadeia produtiva nacional.
Esse avanço reduz um risco concreto: empresas internacionais já indicavam planos de interromper a produção desse tipo de medicamento a partir de 2026. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, com a fabricação no Brasil, esse cenário deixa de ameaçar o abastecimento. Assim, a rede pública ganha mais segurança na oferta.
Produção nacional amplia acesso e reduz dependência externa
Ao internalizar a produção do insumo para produção do Buscopan, o país reduz a dependência de fornecedores externos e fortalece sua capacidade de resposta. Isso impacta diretamente o dia a dia do SUS, onde o medicamento é amplamente utilizado em atendimentos básicos e hospitalares.
Além disso, o investimento de R$ 250 milhões do BNDES contribui para desenvolver tecnologia local e gerar empregos. Com isso, a indústria farmacêutica nacional passa a operar com mais autonomia e capacidade de inovação, ampliando benefícios para toda a população.
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Tecnologia nacional avança também em tratamentos de alto custo
A estratégia de produção local também alcança medicamentos de maior complexidade. Um exemplo é a parceria para fabricar a nusinersena, usada no tratamento da Atrofia Muscular Espinhal (AME), que pode ultrapassar R$ 1,5 milhão por paciente ao ano.
Com a produção nacional prevista dentro dessa parceria, que dialoga com o avanço do insumo para produção do Buscopan, a expectativa é ampliar o acesso ao tratamento já ofertado gratuitamente pelo SUS. Além disso, a iniciativa integra instituições públicas e privadas, fortalece o desenvolvimento tecnológico no país e, assim, amplia o alcance social dessas soluções.
No cenário internacional, o Brasil passa a integrar um grupo restrito de países que dominam o cultivo da planta utilizada na produção do insumo. Ao lado da Austrália, o país passa a controlar etapas estratégicas da cadeia farmacêutica, o que reforça sua capacidade produtiva interna.
Esse conjunto de ações indica uma mudança prática para o cidadão: medicamentos mais disponíveis, com menor risco de interrupção e maior capacidade de atendimento pelo SUS. Assim, o sistema de saúde ganha mais previsibilidade e eficiência no cuidado diário.
Com o avanço da produção do insumo para produção do Buscopan, a tendência é ampliar a autonomia do país em medicamentos essenciais e abrir caminho para novas etapas de produção nacional, com impacto direto no acesso e na continuidade dos tratamentos no SUS.