Pesquisa em doenças raras da Unifor amplia diagnóstico precoce no Ceará

Pesquisa em doenças raras ganha novo centro no Ceará, integrando diagnóstico precoce, exame de exoma e atendimento multidisciplinar para crianças.
pesquisa em doenças raras com exame de imagem cerebral em centro especializado no Ceará
Centro fortalece pesquisa em doenças raras com foco em diagnóstico precoce e neurodesenvolvimento infantil no Ceará. (Foto: Getty Images)

Diante do desafio de diagnosticar precocemente doenças genéticas que afetam o desenvolvimento infantil, o Ceará passa a contar com uma nova estrutura voltada à pesquisa em doenças raras e ao atendimento especializado de crianças pequenas. A Fundação Edson Queiroz inaugura, em 5 de março de 2026, o Centro de Neurodesenvolvimento em Doenças Raras (CEND), instalado no Núcleo de Atenção Médica Integrada (NAMI), no campus da Universidade de Fortaleza (Unifor).

O foco do centro são crianças de 0 a 6 anos com doenças neurológicas raras. A proposta integra assistência interdisciplinar, formação de profissionais e pesquisa em doenças raras aplicada ao neurodesenvolvimento. Na prática, famílias passam a ter acesso local a acompanhamento especializado, que antes exigia, muitas vezes, deslocamentos para outros estados. Além do atendimento imediato, há um efeito estrutural que merece atenção.

Apoio

Pesquisa em doenças raras integra ciência e atendimento infantil

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera rara a doença que afeta até 65 pessoas a cada 100 mil habitantes. Embora cada uma ocorra com baixa frequência, essas condições reúnem milhares de diagnósticos distintos em todo o mundo. Além disso, cerca de 80% têm origem genética, e muitas se manifestam ainda na infância, cenário que reforça a importância de ampliar a pesquisa em doenças raras com foco na primeira infância.

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Atendimento multidisciplinar muda a lógica do cuidado

Quando atingem o sistema nervoso, essas condições podem comprometer funções motoras, cognitivas e sensitivas. Por isso, o novo centro atuará com equipe multidisciplinar formada por neurologistas, geneticistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e psicólogos. Na prática, esse detalhe altera a compreensão do cuidado: o atendimento deixa de ser fragmentado e passa a ser integrado.

Diagnóstico precoce fortalece a pesquisa em doenças raras

Além da estrutura clínica, outro diferencial é a ênfase no diagnóstico precoce. Essa etapa é estratégica dentro da pesquisa em doenças raras voltada à primeira infância. O CEND disponibilizará ultrassom especializado e poderá viabilizar, quando indicado, o exame de exoma. Trata-se de um teste genético de alta complexidade, realizado a partir de sangue ou saliva. Em geral, ele é recomendado para doenças de difícil identificação ou quando exames anteriores não esclarecem o quadro clínico. Dessa forma, contribui para qualificar a investigação diagnóstica.

Estrutura amplia acesso pelo SUS e fortalece a ciência regional

Paralelamente, a estrutura funciona dentro do NAMI, equipamento que atende via Sistema Único de Saúde (SUS), tarifa popular e planos de saúde. Dessa forma, amplia-se o acesso da comunidade a um serviço de maior complexidade. Além de oferecer atendimento, a iniciativa fortalece a pesquisa em doenças raras no Ceará, ao conectar assistência, ensino e inovação terapêutica.

De acordo com a presidente da Fundação Edson Queiroz, Lenise Queiroz Rocha, o centro representa investimento em tratamento, formação de especialistas e pesquisa científica voltada ao neurodesenvolvimento. A inauguração contará com a presença do neurocientista Miguel Nicolelis, que ministrará palestra gratuita no mesmo dia, fortalecendo o debate científico na universidade.

Pesquisa em doenças raras pode encurtar caminho até o diagnóstico

A consolidação da pesquisa em doenças raras dentro de uma estrutura universitária com atendimento clínico pode reduzir o tempo entre suspeita e diagnóstico, formar especialistas no próprio estado e ampliar a capacidade regional de inovação terapêutica. Para famílias, isso significa acesso mais rápido e estruturado; para a ciência, representa fortalecimento contínuo da pesquisa aplicada à infância.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com experiência em produção editorial e atuação em projetos de comunicação institucional e social. Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens e conteúdos informativos pautados por critérios de checagem, ética profissional e compromisso com temas de interesse público e impacto social.