O número de eleitores 60+ no Brasil não para de crescer e esse avanço vem acompanhado de um dado ainda mais relevante: essa parcela da população está votando mais e reduzindo a abstenção. Segundo levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, com base no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), esse movimento pode influenciar o resultado das eleições, especialmente em disputas equilibradas como as registradas nos últimos anos.
Entre 2010 e 2026, o eleitorado com mais de 60 anoscresceu 74%, saltando de 20,8 milhões para 36,2 milhões de pessoas aptas a votar. No mesmo período, o total de eleitores no país aumentou 15%, o que evidencia uma mudança clara no perfil do eleitor brasileiro, com maior presença de pessoas mais velhas nas decisões eleitorais.
Mais presença nas urnas muda o resultado na prática
A mudança não está apenas no crescimento numérico. Os dados mostram que os eleitores mais velhos estão comparecendo mais às urnas. Em 2014, a abstenção entre pessoas com mais de 60 anos era de 37,1%. Esse índice caiu para 36,4% em 2018 e chegou a 34,5% em 2022.
Esse peso se torna ainda mais evidente quando comparado ao resultado das últimas eleições presidenciais. Em 2022, a diferença entre os dois candidatos foi inferior a 2 milhões de votos. Diante de um contingente de mais de 36 milhões de eleitores com 60 anos ou mais, a participação desse grupo passa a ter capacidade real de influenciar o desfecho, especialmente quando há equilíbrio na disputa.
Enquanto isso, o comportamento do eleitorado geral seguiu na direção oposta. A abstenção total subiu de 19,4% em 2014 para 20,9% no último pleito nacional.
Na prática, isso significa que mais eleitores 60+ estão votando proporcionalmente. Em eleições com diferença pequena de votos, essa presença maior pode influenciar diretamente o resultado final.
Voto por escolha aumenta o peso desse eleitor
Entre pessoas com mais de 70 anos, o voto não é obrigatório. Ainda assim, esse grupo também tem demonstrado maior engajamento. A abstenção caiu de 63,6% em 2014 para 58,9% em 2022.
Esse comportamento indica que uma parcela relevante desse público participa por decisão própria, movida por convicção ou identificação política.
Esse tipo de voto tende a ser mais consistente. Em cenários de polarização, como o observado nas eleições de 2022, decisões firmes como essas podem ter impacto direto no resultado.
Engajamento crescente amplia influência política
Hoje, os eleitores com mais de 60 anos representam 23,2% do total de votantes no Brasil, quase um em cada quatro eleitores. Ao todo, o país soma 156,2 milhões de pessoas aptas a votar em 2026, contra 135,8 milhões em 2010.
Segundo o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, esse contingente tem papel estratégico, especialmente em cenários de disputa apertada, a participação desse grupo pode funcionar como fator de equilíbrio.
Embora não determine sozinho o resultado, esse eleitorado tem capacidade real de influenciar o desfecho, especialmente em cenários polarizados.
Envelhecimento da população reforça tendência
O crescimento do eleitorado 60+ acompanha uma transformação demográfica mais ampla. Nas últimas décadas, a população com 60 anos ou mais passou de 7% para 16% no Brasil.
Esse avanço reflete o aumento da expectativa de vida e mudanças nas condições de saúde da população.
Na prática, isso indica que o número de eleitores mais velhos tende a crescer ainda mais nos próximos anos, ampliando sua relevância nas decisões políticas.
Além disso, o número de candidatos com mais de 60 anos também vem aumentando. Em 2024, mais de 70 mil brasileiros dessa faixa etária se candidataram, o equivalente a 15% do total, o maior volume já registrado desde 1998.
Participação ativa redefine o cenário eleitoral
O avanço dos eleitores 60+ não é apenas uma questão de quantidade. Ele revela uma mudança de comportamento, com mais participação e presença nas urnas.
Esse movimento tende a impactar campanhas e estratégias políticas, já que candidatos passam a considerar um público mais ativo, experiente e decisivo.
Em um cenário em que pequenas diferenças podem definir uma eleição, quem participa mais tem mais poder. E, hoje, esse protagonismo cresce justamente entre os brasileiros com mais de 60 anos.