Número de eleitores 60+ cresce e pode influenciar resultado das eleições

O número de eleitores 60+ cresce no Brasil e vem acompanhado de maior participação nas urnas. Com queda na abstenção, esse grupo amplia sua influência nas eleições e ganha peso em disputas equilibradas.
Número de eleitores 60+ cresce no Brasil com maior participação nas eleições
Crescimento do número de eleitores 60+ reforça participação e impacto nas eleições brasileiras. (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

O número de eleitores 60+ no Brasil não para de crescer e esse avanço vem acompanhado de um dado ainda mais relevante: essa parcela da população está votando mais e reduzindo a abstenção. Segundo levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, com base no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), esse movimento pode influenciar o resultado das eleições, especialmente em disputas equilibradas como as registradas nos últimos anos.

Entre 2010 e 2026, o eleitorado com mais de 60 anoscresceu 74%, saltando de 20,8 milhões para 36,2 milhões de pessoas aptas a votar. No mesmo período, o total de eleitores no país aumentou 15%, o que evidencia uma mudança clara no perfil do eleitor brasileiro, com maior presença de pessoas mais velhas nas decisões eleitorais.

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Mais presença nas urnas muda o resultado na prática

A mudança não está apenas no crescimento numérico. Os dados mostram que os eleitores mais velhos estão comparecendo mais às urnas. Em 2014, a abstenção entre pessoas com mais de 60 anos era de 37,1%. Esse índice caiu para 36,4% em 2018 e chegou a 34,5% em 2022.

Esse peso se torna ainda mais evidente quando comparado ao resultado das últimas eleições presidenciais. Em 2022, a diferença entre os dois candidatos foi inferior a 2 milhões de votos. Diante de um contingente de mais de 36 milhões de eleitores com 60 anos ou mais, a participação desse grupo passa a ter capacidade real de influenciar o desfecho, especialmente quando há equilíbrio na disputa.

Enquanto isso, o comportamento do eleitorado geral seguiu na direção oposta. A abstenção total subiu de 19,4% em 2014 para 20,9% no último pleito nacional.

Na prática, isso significa que mais eleitores 60+ estão votando proporcionalmente. Em eleições com diferença pequena de votos, essa presença maior pode influenciar diretamente o resultado final.

Voto por escolha aumenta o peso desse eleitor

Entre pessoas com mais de 70 anos, o voto não é obrigatório. Ainda assim, esse grupo também tem demonstrado maior engajamento. A abstenção caiu de 63,6% em 2014 para 58,9% em 2022.

Esse comportamento indica que uma parcela relevante desse público participa por decisão própria, movida por convicção ou identificação política.

Esse tipo de voto tende a ser mais consistente. Em cenários de polarização, como o observado nas eleições de 2022, decisões firmes como essas podem ter impacto direto no resultado.

Engajamento crescente amplia influência política

Hoje, os eleitores com mais de 60 anos representam 23,2% do total de votantes no Brasil, quase um em cada quatro eleitores. Ao todo, o país soma 156,2 milhões de pessoas aptas a votar em 2026, contra 135,8 milhões em 2010.

Segundo o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, esse contingente tem papel estratégico, especialmente em cenários de disputa apertada, a participação desse grupo pode funcionar como fator de equilíbrio.

Embora não determine sozinho o resultado, esse eleitorado tem capacidade real de influenciar o desfecho, especialmente em cenários polarizados.

Envelhecimento da população reforça tendência

O crescimento do eleitorado 60+ acompanha uma transformação demográfica mais ampla. Nas últimas décadas, a população com 60 anos ou mais passou de 7% para 16% no Brasil.

Esse avanço reflete o aumento da expectativa de vida e mudanças nas condições de saúde da população.

Na prática, isso indica que o número de eleitores mais velhos tende a crescer ainda mais nos próximos anos, ampliando sua relevância nas decisões políticas.

Além disso, o número de candidatos com mais de 60 anos também vem aumentando. Em 2024, mais de 70 mil brasileiros dessa faixa etária se candidataram, o equivalente a 15% do total, o maior volume já registrado desde 1998.

Participação ativa redefine o cenário eleitoral

O avanço dos eleitores 60+ não é apenas uma questão de quantidade. Ele revela uma mudança de comportamento, com mais participação e presença nas urnas.

Esse movimento tende a impactar campanhas e estratégias políticas, já que candidatos passam a considerar um público mais ativo, experiente e decisivo.

Em um cenário em que pequenas diferenças podem definir uma eleição, quem participa mais tem mais poder. E, hoje, esse protagonismo cresce justamente entre os brasileiros com mais de 60 anos.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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