Dados divulgados no Dia Internacional da Mulher, no domingo (08/03), indicam uma mudança relevante nos indicadores de segurança alimentar do país. Entre os grupos analisados, lares chefiados por mulheres negras passaram a registrar o menor nível de insegurança alimentar grave já observado no Brasil, com taxa de 4,5%, segundo a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia).
O levantamento também aponta queda consistente da insegurança alimentar em outros perfis de domicílio. Entre lares chefiados por mulheres, a taxa ficou em 3,6%, enquanto, nos domicílios liderados por pessoas negras, o índice alcançou 4,1%. No conjunto do país, a insegurança alimentar grave recuou para 3,2% dos domicílios em 2024, o menor resultado já registrado. Assim, além dos números atuais, o dado reforça uma tendência mais ampla observada nos últimos anos.
Mulheres negras aparecem em novo patamar nos indicadores de alimentação
Historicamente, lares chefiados por mulheres negras aparecem entre os grupos mais expostos à insegurança alimentar no Brasil. Nesse contexto, a redução observada nesse segmento indica mudança relevante em um indicador que, por décadas, refletiu desigualdades sociais persistentes.
O cenário acompanha também um resultado de alcance internacional. Em julho de 2025, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) anunciou que o Brasil havia deixado o Mapa da Fome, após a média trienal entre 2022 e 2024 registrar menos de 2,5% da população em risco de subnutrição. Dessa forma, esse indicador internacional ajuda a contextualizar a dimensão da melhora observada no país.
Políticas de renda e alimentação ajudam a explicar a queda
Segundo a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Valéria Burity, a redução da insegurança alimentar, que também alcança mulheres negras, historicamente mais expostas à vulnerabilidade, está associada à combinação de diferentes políticas públicas.
“Quando você dá centralidade ao combate à fome na agenda política, isso se converte em políticas públicas”, afirmou.
Entre as estratégias citadas estão geração de emprego e renda, fortalecimento da agricultura familiar, ampliação da alimentação escolar e acesso à alimentação adequada. Além disso, essas iniciativas integram o Plano Brasil Sem Fome, voltado à articulação de ações sociais, produtivas e alimentares.
Expansão da rede municipal amplia alcance das políticas
Outro fator apontado pelo governo é a expansão da estrutura institucional de segurança alimentar. Nesse contexto, a adesão de municípios ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) cresceu de 536 cidades em 2022 para 2.152 em 2026, ampliando a base de políticas que contribuem para a melhoria do acesso à alimentação — inclusive entre mulheres negras, grupo historicamente mais exposto à insegurança alimentar.
Dados da Munic 2024 mostram que 51,4% dos municípios têm conselho de segurança alimentar, enquanto 36,3% possuem legislação específica e 24,5% contam com câmaras intersetoriais.
De acordo com Burity, a reorganização institucional ampliou a coordenação entre União, estados e municípios, o que fortalece a implementação de políticas alimentares em diferentes regiões do país.
Combate à fome ganha impacto direto na vida das mulheres
A queda da insegurança alimentar em lares chefiados por mulheres negras também se relaciona a políticas de inclusão produtiva e proteção social.
Segundo a secretária do MDS, ações articuladas de garantia de renda, acesso à alimentação e políticas sociais têm impacto direto na vida dessas famílias.
“Os números reforçam que o combate à fome está ligado à inclusão produtiva, proteção social e garantia de direitos — agenda que impacta especialmente a vida das mulheres, sobretudo das mulheres negras”, afirmou.
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Mulheres negras registram avanço no acesso à alimentação
Com a redução da insegurança alimentar grave em diferentes perfis de domicílio, especialistas observam melhora consistente nos indicadores de acesso à alimentação.
Nesse contexto, os dados recentes sobre mulheres negras sugerem que políticas públicas integradas podem reduzir desigualdades históricas e ampliar o acesso a condições básicas de segurança alimentar no Brasil.