Licença-paternidade aprovada no Senado pode chegar a 20 dias e ampliar cuidado familiar

A licença-paternidade pode chegar a 20 dias no Brasil após aprovação no Senado. A proposta cria salário-paternidade, prevê implantação gradual e amplia o tempo de cuidado familiar.
pai segurando recém-nascido durante licença-paternidade no Brasil
Ampliação da licença-paternidade pode permitir que pais acompanhem mais de perto os primeiros dias de vida dos filhos. (Foto: Pixabay/Pexels)

O Senado aprovou, na quarta-feira (04/03), o Projeto de Lei 5811/2025 que amplia a licença-paternidade no Brasil e cria o salário-paternidade como benefício previdenciário. A proposta estabelece aumento gradual do período de afastamento dos pais após o nascimento ou adoção de filhos, podendo chegar a 20 dias, caso o texto seja sancionado pela Presidência da República. Na prática, a medida busca ampliar o tempo de cuidado familiar e reforçar a participação dos pais nos primeiros dias de vida das crianças.

Na prática, a nova licença-paternidade poderá alcançar até 20 dias ao final do processo de implementação. A mudança busca ampliar o tempo de presença do pai nos primeiros dias após o nascimento ou adoção da criança. Além disso, o modelo foi desenhado para permitir adaptação gradual das empresas e do mercado de trabalho.

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Licença-paternidade ampliada será implantada de forma gradual

O texto aprovado prevê que a ampliação da licença-paternidade ocorra em etapas ao longo dos primeiros anos de vigência da lei.

Nos dois primeiros anos, o período passa para 10 dias. No terceiro ano, a licença chega a 15 dias. Já a partir do quarto ano de vigência, o prazo máximo será de 20 dias.

O projeto adotou a implementação progressiva para facilitar a adaptação institucional e permitir que empresas e trabalhadores organizem a nova rotina de afastamento.

Novo salário-paternidade passa a integrar a proteção social

Outro ponto central da proposta é a criação do salário-paternidade, benefício previdenciário que acompanha o período de afastamento do trabalho.

A medida aproxima a proteção oferecida aos pais das garantias já existentes para a maternidade no sistema previdenciário brasileiro. Ao mesmo tempo, o projeto permite dividir o período da licença-paternidade e oferece mais flexibilidade para a organização do cuidado familiar.

Além disso, o texto aprovado estabelece estabilidade no emprego durante e após a licença, buscando assegurar que o trabalhador exerça o direito sem risco de perda do posto de trabalho.

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Entre os argumentos apresentados durante a tramitação, parlamentares destacaram que a ampliação da licença-paternidade pode fortalecer a participação dos pais nos cuidados com filhos recém-nascidos ou adotados.

Durante a análise na Câmara dos Deputados, o relator Pedro Campos (PSB-PE) afirmou que “nenhum direito é mais fundamental do que o de nascer cercado de cuidado”.

Parlamentares apresentaram a proposta como uma forma de estimular maior equilíbrio entre responsabilidades familiares e profissionais.

Um debate que atravessa décadas no Congresso

O projeto aprovado tem origem em uma proposta apresentada em 2007 pela ex-senadora Patrícia Saboya. Desde então, o tema permaneceu em discussão no Congresso Nacional.

No Senado, a relatoria ficou com a senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA). A Câmara dos Deputados aprovou a proposta em novembro de 2025.

Licença-paternidade no Brasil entra em nova fase de ampliação

Discussões sobre o papel da licença-paternidade aparecem no país desde a Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela elaboração da Constituição de 1988.

Se sancionada pela Presidência da República, a nova licença-paternidade poderá ampliar gradualmente o tempo de cuidado familiar no Brasil e integrar os pais de forma mais direta nos primeiros dias de vida das crianças. A medida também tende a influenciar práticas de gestão no trabalho e o debate sobre políticas de cuidado no país.

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Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.