O fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo global, segundo estimativas de mercado, anunciado pelo Irã na segunda-feira (02/03), abriu uma nova variável no comércio internacional de energia. Nesse cenário, a exportação de petróleo do Brasil pode ganhar espaço caso a restrição persista, já que países da Ásia e da Europa tendem a buscar fornecedores alternativos, e o Brasil aparece entre as opções viáveis.
O país já opera com infraestrutura consolidada de portos e oleodutos voltados ao escoamento externo e mantém rotas que não dependem do Golfo Pérsico. Além disso, a China, maior compradora do óleo brasileiro, já concentra 45% das vendas externas do produto, o que facilita ajustes contratuais em cenários de mudança de oferta global.
Exportação de petróleo do Brasil e a força do mercado asiático
Em 2025, o Brasil exportou US$ 44 bilhões em petróleo bruto, sendo US$ 20 bilhões destinados à China. Desde 2024, o petróleo superou soja e minério de ferro como principal item da pauta exportadora, reforçando seu peso na balança comercial.
Segundo Matt Smith, consultor da Kpler, se a instabilidade durar ao menos quatro semanas, consumidores asiáticos como China, Índia e Japão tendem a procurar alternativas de suprimento. Nesse cenário, a exportação de petróleo do Brasil pode ampliar contratos não apenas com a Ásia, mas também com a Europa.
Leia mais:
Capacidade produtiva define o alcance da oportunidade
Atualmente, o país produz cerca de 3,6 milhões de barris por dia, dos quais 1,6 milhão são exportados. O restante abastece o mercado interno. Para o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Roberto Ardenghy, não há como expandir rapidamente as exportações, já que a curva de produção é gradual.
Ainda assim, projetos em andamento podem elevar a produção para 4,2 milhões de barris diários até 2029, o que colocaria o Brasil entre os seis maiores produtores do mundo. Esse avanço amplia a capacidade estrutural de resposta a novas demandas internacionais e fortalece, no médio prazo, a exportação de petróleo do Brasil em cenários de maior procura global.
Receita pública e dividendos podem crescer
A alta do petróleo já se refletiu nas ações preferenciais da Petrobras, que subiram 3,57% entre sexta e terça-feira após o anúncio da crise. Para o governo federal, o impacto pode ir além do mercado financeiro.
Em 2024, a União recebeu R$ 28,8 bilhões em dividendos da Petrobras. Caso o preço internacional se mantenha elevado, aumentam também os royalties, participações especiais e tributos arrecadados com a cadeia de óleo e gás.
Há, porém, um efeito duplo: o Brasil exporta petróleo bruto, mas importa gasolina e diesel. Portanto, uma alta prolongada pode pressionar custos internos, inclusive inflação, como avaliam especialistas e integrantes da área econômica.
A exportação de petróleo do Brasil depende da duração da instabilidade no Oriente Médio. Se o bloqueio persistir e os estoques globais começarem a cair, o país tende a ganhar espaço como fornecedor alternativo. O resultado pode fortalecer a balança comercial e o caixa público — desde que a expansão ocorra de forma compatível com a capacidade produtiva nacional.

