A decisão da Assembleia-Geral da ONU, aprovada na quarta-feira (26/03), passa a orientar novas ações internacionais ao reconhecer a escravidão e o tráfico transatlântico como crime contra humanidade. Com 123 votos favoráveis, a medida fortalece a base para políticas de reparação e, ao mesmo tempo, amplia o reconhecimento histórico em escala global.
A resolução, proposta por Gana, recomenda que países adotem medidas práticas, como pedidos formais de desculpas, criação de fundos e devolução de artefatos. Além disso, embora não seja obrigatória, ela orienta ações futuras e amplia a pressão por respostas institucionais. Assim, esse direcionamento abre espaço para mudanças concretas nas políticas internacionais.
Crime contra humanidade amplia base para reparações globais
Ao classificar a escravidão como crime contra humanidade, a ONU conecta o passado às decisões atuais. Nesse sentido, estimativas indicam que entre 12,5 milhões e 15 milhões de africanos foram sequestrados ao longo de cerca de 400 anos, com impactos que ainda se refletem em desigualdades sociais.
No caso do Brasil, o país aparece como um dos principais destinos desse processo histórico, tendo recebido entre 4 e 5 milhões de pessoas escravizadas. Por isso, para especialistas, esse reconhecimento fortalece o debate sobre políticas públicas voltadas à população afrodescendente. Com isso, o tema ganha dimensão prática no cenário nacional.
Decisão fortalece atuação internacional e pressão por respostas
A aprovação com ampla maioria indica convergência entre países africanos, caribenhos e parte da América Latina em torno do reconhecimento da escravidão como crime contra humanidade. Além disso, o Brasil, que apoiou a medida, também participou das articulações durante a votação, reforçando sua presença nas discussões globais sobre o tema.
Segundo Iradj Eghrari, do Geledés, o reconhecimento deixa de ser apenas simbólico e passa a integrar a agenda institucional. Já o professor Justin Hansford afirma que este é o avanço mais relevante da ONU sobre o tema até agora. Dessa forma, essas avaliações indicam que o debate tende a ganhar continuidade.
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Próximos passos incluem convenções e novas políticas
A resolução também pode influenciar a criação de uma convenção internacional sobre crimes contra a humanidade. Além disso, iniciativas como tribunais específicos e estruturas de reparação entram no campo das possibilidades discutidas por países e organizações.
Ao mesmo tempo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, defende ações mais amplas por parte dos Estados, sinalizando que o tema deve avançar para além do reconhecimento formal.
Com o crime contra humanidade reconhecido nesse contexto, cresce a tendência de políticas que conectem memória histórica a ações práticas. Assim, o avanço aponta para um cenário em que reparação, educação e cooperação internacional ganham espaço como instrumentos de desenvolvimento social.