Combate à violência contra mulheres ganha força com operações e novas medidas de proteção

Combate à violência contra mulheres ganha reforço com operações nacionais que resultaram em mais de 5 mil prisões, ações preventivas, tecnologia de proteção e cooperação internacional.
Manifestação em defesa das mulheres e do combate à violência contra mulheres no Brasil
Participantes seguram cartaz “Um Brasil de mulheres vivas e livres” durante mobilização que reforça o combate à violência contra mulheres. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, ações integradas de segurança pública apresentaram novos resultados no país. Nesse contexto, o combate à violência contra mulheres ganhou reforço no Brasil nas últimas semanas, com uma força-tarefa que resultou em 5.238 prisões relacionadas a crimes contra mulheres. O balanço divulgado na sexta-feira (06/03) reúne iniciativas das operações Mulher Segura e Alerta Lilás, articuladas dentro do Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio.

A operação mobilizou 38.564 agentes de segurança e 14.796 viaturas, com ações realizadas em 2.050 municípios brasileiros. Ao todo, foram executadas 42.339 diligências, o que ampliou a capacidade de resposta das autoridades diante de casos de violência doméstica e agressões contra mulheres. Além disso, esse alcance nacional evidencia a prioridade atribuída ao tema na agenda pública.

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Ao mesmo tempo, as operações priorizaram proteção direta às vítimas, com 18.002 medidas protetivas acompanhadas e 24.337 mulheres atendidas durante as ações. Segundo o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, a integração entre forças federais, civis e militares permitiu ampliar resultados em um curto período.

Combate à violência contra mulheres mobiliza ações em todo o país

Entre 19 de fevereiro e 5 de março, a Operação Mulher Segura registrou 4.936 prisões, sendo 3.199 em flagrante e 1.737 em cumprimento de mandados judiciais. Dessa forma, as ações reforçaram o monitoramento de casos com medidas protetivas e a localização de suspeitos procurados pela Justiça.

Paralelamente, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) executou a Operação Alerta Lilás, considerada a maior iniciativa da corporação voltada à proteção feminina. Entre 9 de fevereiro e 5 de março, foram 302 prisões relacionadas à violência contra mulheres, incluindo 27 agressores sexuais e três feminicidas. Para isso, a estratégia utilizou cruzamento de dados e inteligência policial para localizar suspeitos em diferentes regiões do país.

Além da repressão aos crimes, as operações também incluíram ações educativas voltadas ao combate à violência contra mulheres. As equipes realizaram 1.802 campanhas de conscientização, que alcançaram cerca de 2,2 milhões de pessoas e ampliaram o debate público sobre prevenção da violência.

Tecnologia amplia proteção para mulheres em situação de risco

Outro eixo das iniciativas envolve o uso de tecnologia para reforçar a segurança de vítimas com medidas protetivas. Nesse sentido, o governo federal prevê investir R$ 5 milhões no desenvolvimento de uma ferramenta semelhante a um “botão de risco”, que mulheres em situação de ameaça poderão acionar.

A proposta busca agilizar o contato com as autoridades e ampliar a capacidade de resposta em situações de risco, reforçando os instrumentos já utilizados no combate à violência contra mulheres. Segundo a secretária nacional de Acesso à Justiça, Sheila Carvalho, a inovação pretende fortalecer os mecanismos já existentes de proteção e monitoramento.

Além disso, programas voltados à prevenção da reincidência também integram a estratégia. Atualmente, um projeto de reflexão direcionado a autores de violência já acompanha 2,7 mil homens, com o objetivo de reduzir novos episódios de agressão.

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Cooperação internacional entra na agenda de proteção às vítimas

As iniciativas nacionais também avançam no campo internacional. Durante reunião da Conferência da Haia de Direito Internacional Privado, na Holanda, o Brasil apoiou a criação de um Grupo de Trabalho internacional que discutirá a viabilidade de uma convenção para reconhecimento de medidas protetivas entre países.

A proposta, apresentada pelo Reino Unido e apoiada por diversos países, poderá permitir que decisões judiciais destinadas à proteção de vítimas tenham validade em diferentes territórios, fortalecendo a cooperação internacional no combate à violência contra mulheres. Caso avance, a medida tende a ampliar a segurança de mulheres que cruzam fronteiras ou enfrentam situações de violência em contextos internacionais.

A primeira reunião do grupo está prevista para ocorrer no segundo semestre de 2026, em Londres, com apresentação de relatório sobre os estudos ao conselho da conferência em 2027.

Combate à violência contra mulheres avança com prevenção e proteção

Diante desse conjunto de ações, operações policiais, programas preventivos e iniciativas diplomáticas indicam um esforço mais amplo para fortalecer o combate à violência contra mulheres no Brasil. Assim, ao combinar repressão aos crimes, apoio às vítimas e cooperação internacional, a estratégia busca ampliar a rede de proteção e consolidar políticas públicas voltadas à segurança feminina.

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Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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