A ampliação de mercados internacionais para o agronegócio brasileiro ganhou novo impulso na quinta-feira (26/02), quando o Governo Federal concluiu negociações sanitárias que liberaram a entrada de carne e soja no México e nas Filipinas. Dessa forma, os produtos passam a contar com novos canais de venda no exterior, ampliando o portfólio exportador e criando oportunidades para segmentos de maior processamento.
No caso mexicano, a autorização inclui a importação de carne moída, produto voltado principalmente ao varejo e à indústria de alimentos. Em 2025, o México já havia adquirido mais de US$ 3,1 bilhões em produtos agropecuários brasileiros, com destaque para carnes e itens do complexo soja. Agora, além de manter esse fluxo comercial, a inclusão de um item com maior grau de processamento tende a elevar o valor agregado das vendas. Além do dado imediato, há um efeito prático que merece atenção.
Carne e soja brasileira avançam com produto de maior valor agregado
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a liberação da carne moída “fortalece a relação comercial e abre espaço para um produto de maior processamento”. Na prática, isso significa que frigoríficos brasileiros podem ampliar presença em nichos mais sofisticados, indo além do fornecimento de cortes in natura.
O detalhe técnico altera a forma de inserção internacional do setor de carne e soja brasileira. Em geral, produtos industrializados, como parte da estratégia para a carne brasileira, geram margens superiores e exigem maior organização logística e sanitária. Por consequência, esse avanço no perfil das exportações eleva o padrão competitivo de toda a cadeia produtiva, tanto no campo quanto na indústria.
No mercado asiático, por sua vez, as Filipinas autorizaram a importação de soja em grãos do Brasil. Em 2024, o país comprou mais de US$ 1,8 bilhão em produtos agropecuários brasileiros. Assim, a nova autorização reforça o papel da soja como eixo estratégico da pauta exportadora.
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Diversificação reduz dependência de poucos destinos
A ampliação de destinos para carne e soja brasileira também contribui para diluir riscos comerciais. Ao acessar diferentes regiões, o Brasil reduz a concentração das vendas externas em poucos compradores e amplia sua presença geográfica.
Além disso, os acordos sanitários concluídos indicam alinhamento técnico entre autoridades, fator que pode facilitar futuras negociações. Portanto, o avanço não se limita ao volume exportado, mas também fortalece institucionalmente as relações comerciais.
Perspectiva para o setor
Com a entrada de carne e soja brasileira em novos mercados, o Brasil consolida uma estratégia baseada em diversificação e maior valor agregado. Se mantiver o ritmo de negociações sanitárias e de ampliação de portfólio, o agro pode expandir a receita externa com produtos mais elaborados, ampliando competitividade e estabilidade no comércio internacional.

