O Brasil assume a presidência da Zopacas – sigla para a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul – nos dias 8 e 9 de abril, no Rio de Janeiro, e, com isso, passa a liderar uma das regiões mais estáveis do mundo. Na prática, a mudança coloca o país no centro das decisões sobre cooperação no Atlântico Sul, com impacto direto em áreas como economia do mar, segurança marítima e preservação ambiental entre 24 países.
Criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1986, a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul reúne países da América do Sul e da costa oeste africana com um objetivo claro: manter a região livre de armas nucleares. Ao longo de 40 anos, os países mantiveram esse compromisso sem rupturas, algo raro no cenário internacional.
Agora, no entanto, o movimento muda de direção. A prioridade deixa de ser apenas evitar conflitos e passa a gerar resultados concretos para os países envolvidos.
Uma região estável em um cenário global de tensão
Enquanto diversas regiões enfrentam disputas militares e instabilidade, o Atlântico Sul segue como uma área de equilíbrio. Dessa forma, essa estabilidade reduz riscos e cria um ambiente mais previsível para cooperação internacional.
Na prática, isso significa mais autonomia para os países definirem suas próprias agendas, sem interferência direta de conflitos externos. Além disso, a Zopacas reforça um ponto estratégico: evitar que tensões globais sejam transferidas para a região.
Ao mesmo tempo, esse posicionamento ganha peso em um momento em que rotas marítimas, energia e recursos naturais se tornam cada vez mais disputados no mundo.
Da paz à economia do mar
Com o Brasil na presidência da Zopacas, o foco passa a ser transformar estabilidade em desenvolvimento. Nesse contexto, durante a reunião no Rio, os países devem avançar em uma estratégia com três áreas principais e 14 temas de atuação.
Entre eles, a proteção do ambiente marinho ganha destaque.
Na prática, isso se conecta diretamente à chamada economia do mar, que inclui pesca, transporte marítimo, energia e uso sustentável dos oceanos. Assim, quando coordenadas entre os países, essas atividades podem gerar emprego, renda e segurança alimentar, principalmente em regiões costeiras.
Além disso, a preservação ambiental deixa de ser apenas uma obrigação e passa, gradualmente, a ser tratada como um ativo econômico.
Brasil e África mais conectados
A Zopacas também fortalece uma ligação direta entre o Brasil e mais de 20 países africanos. Com isso, essa conexão cria oportunidades reais de cooperação técnica, comercial e estratégica.
Na prática, isso pode envolver ações conjuntas de segurança marítima, combate a crimes no oceano, troca de tecnologia para pesca sustentável e monitoramento ambiental compartilhado.
Segundo o Itamaraty, esse potencial ainda não foi totalmente explorado nas últimas décadas. Agora, porém, a presidência brasileira surge como uma oportunidade concreta para acelerar esse processo.
O que muda com a liderança do Brasil
Ao assumir a presidência da Zopacas, o Brasil passa a influenciar diretamente as prioridades do bloco pelos próximos anos. Com isso, aumenta também a capacidade de articulação e de transformar acordos em ações concretas.
A região reúne características estratégicas importantes. Entre elas estão a ausência de conflitos armados, a grande extensão marítima, a riqueza em recursos naturais e a conexão direta entre América do Sul e África.
Se essa agenda avançar, o Atlântico Sul pode dar um passo além. Ou seja, deixar de ser apenas uma zona de paz e se consolidar como um eixo de desenvolvimento sustentável.
No dia a dia, isso pode se traduzir em mais segurança, geração de renda e preservação ambiental para milhões de pessoas que dependem do oceano.