Com aval do Senado, agressor de mulher passa a usar tornozeleira imediata em casos de risco

Nova lei permite monitoramento imediato de agressor de mulher com tornozeleira eletrônica, ampliando proteção, resposta rápida e prevenção em casos de risco.
agressor de mulher com tornozeleira eletrônica sendo instalada para monitoramento
Nova medida permite monitoramento imediato de agressor de mulher com tornozeleira eletrônica em casos de risco. (Foto: Tiago Stille/Gov. Ceará)

O Senado aprovou, na quarta-feira (18/03), uma medida que permite à Justiça determinar o uso imediato de tornozeleira eletrônica em casos de alto risco na violência doméstica. Na prática, o agressor de mulher passa a ser monitorado em tempo real, o que amplia a proteção das vítimas e reduz o tempo de resposta diante de possíveis aproximações.

Na prática, a medida permite acompanhar em tempo real a localização do agressor e emitir alertas automáticos caso ele se aproxime da vítima. O sistema conecta vítima, polícia e Justiça em uma resposta mais rápida. E isso altera o padrão de proteção disponível hoje.

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Agressor de mulher passa a ser monitorado em tempo real

O novo modelo prevê que a mulher receba um dispositivo portátil capaz de alertar qualquer tentativa de aproximação indevida. Ao mesmo tempo, o sistema também notifica as autoridades, o que facilita a intervenção imediata.

Segundo a senadora Leila Barros, relatora do projeto, o monitoramento eletrônico amplia a segurança ao permitir controle contínuo do agressor e acionamento automático em situações de risco. Com isso, a proteção deixa de depender apenas de reação posterior.

Além disso, a tornozeleira passa a ser prioridade em casos de descumprimento de medidas protetivas. A retirada ou violação do equipamento sem autorização também pode aumentar a pena aplicada.

Interior ganha resposta mais rápida com nova regra

A proposta também alcança cidades sem presença constante do Judiciário. Nesses locais, o delegado poderá determinar o uso da tornozeleira para agressor de mulher, comunicando a decisão à Justiça em até 24 horas.

O dado dialoga com a realidade nacional. Em 2024, metade dos casos mais graves ocorreu em municípios com até 100 mil habitantes, onde a estrutura de atendimento ainda é limitada. Assim, a decisão amplia o acesso à proteção em regiões menos assistidas.

Atualmente, apenas uma pequena parcela das cidades conta com delegacias especializadas ou casas de acolhimento, o que reforça a importância de respostas mais ágeis no território.

Regras mais firmes fortalecem proteção às vítimas

O projeto também torna permanente o programa de monitoramento eletrônico e amplia os recursos destinados à política de enfrentamento à violência contra a mulher, com aumento da fatia do Fundo Nacional de Segurança Pública.

Outro avanço está na obrigatoriedade de justificativa caso o juiz decida interromper o uso da tornozeleira. Isso cria mais transparência e consistência nas decisões.

Os dados recentes mostram o tamanho do desafio. Em 2024, a Justiça analisou mais de 900 mil casos de violência doméstica e concedeu centenas de milhares de medidas protetivas.

Ainda assim, parte das vítimas já possuía proteção ativa, o que indica a necessidade de instrumentos mais eficazes para evitar novas agressões.

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Agressor de mulher: o que muda na proteção daqui em diante

Com a nova regra, o uso da tornozeleira eletrônica deixa de ser apenas uma possibilidade e passa a integrar, de forma direta, as estratégias de proteção em casos graves envolvendo agressor de mulher.

O conjunto de mudanças aponta para um modelo mais preventivo, baseado em monitoramento contínuo e resposta rápida. Assim, na prática, a tendência é ampliar a segurança das vítimas e reduzir o tempo de reação das autoridades diante de situações de risco.

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Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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