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A busca por um rim universal entrou em uma nova etapa com testes que mostram como a ciência tenta superar uma das maiores barreiras dos transplantes: a compatibilidade sanguínea. Em vez de preparar o paciente, os pesquisadores optaram por adaptar o próprio órgão. Com isso, o rim universal surge como alternativa capaz de ampliar o acesso ao transplante renal e, ao mesmo tempo, reduzir longos períodos de espera.
Rim universal e a adaptação do órgão
No centro da pesquisa, os cientistas utilizaram enzimas capazes de remover, de forma temporária, os antígenos que identificam um rim como pertencente ao tipo sanguíneo A. Dessa forma, o órgão adaptado passa a se comportar como se fosse do tipo O, aceito por receptores de qualquer grupo. Segundo os pesquisadores envolvidos, o processo atua como uma ocultação química. Assim, o sistema imunológico deixa de reconhecer o rim compatível como invasor, o que evita o ataque imediato que costuma inviabilizar transplantes incompatíveis.
Compatibilidade sanguínea e o desafio das filas
Esse tipo de abordagem se conecta diretamente à realidade das filas de transplante e ao debate sobre o rim universal. Pacientes com sangue tipo O, por exemplo, costumam esperar mais tempo, pois só podem receber órgãos do mesmo tipo. Ao mesmo tempo, rins desse grupo acabam direcionados a receptores de outros tipos. Ao permitir que rins de doadores falecidos passem por adaptação antes do transplante, o conceito de órgão adaptado pode redistribuir oportunidades. Segundo especialistas da área, essa estratégia tende a tornar o sistema mais equilibrado.
Teste em modelo humano
Pela primeira vez, os pesquisadores testaram o rim universal em um corpo humano com morte cerebral. Durante dois dias, o órgão funcionou sem apresentar rejeição hiperaguda, reação que costuma ocorrer em minutos quando há incompatibilidade. No terceiro dia, parte das características originais reapareceu. Ainda assim, a resposta de defesa foi mais branda. Para o professor Stephen Withers, da Universidade da Colúmbia Britânica, o resultado oferece informações valiosas sobre como prolongar o efeito da adaptação e melhorar a aceitação do rim compatível.
Embora ainda dependa de novos estudos e autorizações regulatórias, o avanço em torno do rim universal aponta um caminho promissor. Ao facilitar o uso de órgãos disponíveis e reduzir etapas complexas do preparo do paciente, a pesquisa indica um futuro no qual mais pessoas podem receber um transplante no tempo adequado.
