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A realidade virtual no tratamento da dor crônica deixou de ser ficção científica e passou a integrar pesquisas clínicas de ponta. Segundo reportagem da National Geographic, cientistas estão usando ambientes imersivos para ajudar pacientes a reeducar os circuitos da dor no cérebro, oferecendo esperança a milhões de pessoas que convivem com sofrimento persistente e difícil controle.
O tratamento se baseia em descobertas da neurociência que mostram que a dor não depende apenas de lesões físicas. Atenção, expectativa e percepção influenciam intensamente a experiência dolorosa. Por isso, ambientes virtuais imersivos conseguem “competir” com os sinais de dor, redirecionando o foco do cérebro e reduzindo a intensidade do sofrimento percebido.
Durante anos, essa abordagem foi usada principalmente como distração em procedimentos médicos dolorosos. Contudo, pesquisadores passaram a explorar estratégias mais profundas, capazes de estimular a plasticidade cerebral e modificar padrões persistentes de dor.
Evidências científicas da realidade virtual no tratamento da dor crônica
A realidade virtual no tratamento da dor crônica ganhou destaque com estudos conduzidos por Hunter Hoffman, da Universidade de Washington. Ele criou o ambiente virtual “SnowWorld”, inicialmente usado com crianças em tratamento de queimaduras. Estudos clínicos mostraram redução significativa da dor e da ansiedade durante os procedimentos.
Mais recentemente, Hoffman testou a tecnologia em pacientes com Síndrome da Dor Regional Complexa. Em um estudo piloto publicado na Frontiers in Neurology, seis de sete participantes relataram redução da dor, melhora da mobilidade e benefícios emocionais mantidos após um ano. Para além dos números, a experiência subjetiva também impressionou os pesquisadores.
Controle, esperança e novos caminhos terapêuticos
Para especialistas como Zina Trost, da Texas A&M, a realidade virtual no tratamento da dor crônica vai além da distração.
“É incrível o que acontece com uma pessoa que sente dor apenas por ver um avatar de si mesma”, afirma a pesquisadora.
Segundo ela, a tecnologia pode restaurar o chamado controle volitivo, frequentemente perdido em condições crônicas.
Além disso, a realidade virtual tem sido estudada como alternativa ou complemento aos analgésicos, especialmente após a crise dos opioides. Embora os resultados ainda sejam modestos e dependam de mais estudos, a abordagem representa um avanço relevante para pacientes com poucas opções terapêuticas.
No cenário atual, a realidade virtual no tratamento da dor crônica desponta como uma ferramenta promissora, capaz de integrar tecnologia, reabilitação e saúde mental.
