O papel humano na IA ganhou novo destaque a partir das reflexões de Fei-Fei Li, professora de ciência da computação da Universidade de Stanford, em entrevista à Pequenas Empresas & Grandes Negócios (PEGN). Para a pesquisadora, o avanço das máquinas depende menos do poder de cálculo e mais da disposição humana de enfrentar incertezas, assumir riscos e explorar territórios ainda pouco compreendidos pela tecnologia.
O papel humano na IA como ponto de partida da inovação
Segundo a PEGN, Fei-Fei Li sustenta que a inteligência artificial avança quando pessoas tomam decisões ousadas, mesmo sem garantias imediatas. Essa visão orienta a atuação da World Labs, startup fundada por ela com foco em inteligência espacial. A empresa desenvolveu a plataforma Marble, capaz de criar ambientes tridimensionais a partir de comandos de texto, ampliando o diálogo entre linguagem humana e sistemas computacionais.
Além disso, a executiva defende que o papel humano na IA aparece na escolha de problemas difíceis. Em vez de seguir caminhos previsíveis, equipes são estimuladas a testar hipóteses contrárias e ideias pouco exploradas. Esse método, conforme a fundadora, abre espaço para aplicações mais amplas e úteis da tecnologia no cotidiano.
Trajetória pessoal e decisões que moldam a tecnologia
A história de Fei-Fei Li ajuda a compreender essa abordagem. Imigrante nos Estados Unidos ainda adolescente, ela conciliou estudos acadêmicos com o trabalho na lavanderia da família durante parte da graduação e do doutorado. Essa experiência influenciou sua forma de liderar e de enxergar o papel humano na IA como elemento ativo, e não secundário.
“Eu adoro a palavra ‘destemido’ porque é onde limites são quebrados, criatividades são liberadas e coisas mágicas acontecem”, afirma Fei-Fei Li, professora de ciência da computação da Universidade de Stanford e fundadora da World Labs, em declaração reproduzida pela PEGN.
Atualmente, a World Labs tem avaliação estimada em US$ 230 milhões, valor divulgado pela própria revista. Esse dado não pôde ser validado de forma independente, mas ilustra como escolhas humanas, feitas em cenários adversos, podem resultar em projetos de grande alcance tecnológico.
Caminhos adiante para confiança e responsabilidade
Para Fei-Fei Li, o papel humano na IA também envolve governança. Ela afirma que confiança não nasce do algoritmo, mas das decisões sobre como ele é criado e usado. Assim, empresas e sociedade precisam evoluir junto com as máquinas, garantindo que inovação e responsabilidade caminhem lado a lado. Nesse horizonte, a tecnologia deixa de ser apenas ferramenta e passa a refletir, de forma direta, as escolhas humanas que a orientam.
