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O design inclusivo para animais vem ganhando espaço como uma abordagem capaz de transformar não apenas produtos voltados a cães, mas também a forma como humanos projetam soluções acessíveis. Segundo reportagem da Fast Company Brasil, a experiência da designer Luisa Ruge ao criar um botão pensado para cães de serviço revelou lições profundas sobre empatia, acessibilidade e inovação aplicada ao cotidiano.
Por décadas, cães de serviço ajudam pessoas com deficiência a realizar tarefas essenciais, como acender luzes ou abrir portas. Contudo, apesar desse protagonismo, esses animais sempre interagiram com interfaces projetadas exclusivamente para humanos. Por isso, o design inclusivo para animais surge como uma resposta a essa lacuna histórica.
O design inclusivo para animais como nova fronteira da acessibilidade
O design inclusivo para animais é o foco do trabalho desenvolvido pelo Laboratório de Interação Animal-Computador da Open University, no Reino Unido. Fundado em 2011 e liderado por Clara Mancini, o laboratório pesquisa como animais interagem com tecnologias e como essas interfaces podem respeitar suas limitações físicas, sensoriais e comportamentais.
Além disso, o grupo lançou o Dogosophy Button, um botão criado especificamente para cães de serviço acionarem eletrodomésticos em casa. O produto levou mais de dez anos para ser desenvolvido e foi testado com cerca de 20 cães da ONG britânica Dogs for Good.
Como o design inclusivo para animais ensinou lições aos humanos
Ao longo do processo, Luisa Ruge percebeu que projetar para cães exigia questionar certezas comuns no design tradicional.
“Hoje, sou uma designer melhor para humanos”, afirma Ruge, destacando como a experiência ajudou a identificar vieses e suposições presentes em projetos convencionais.
Por isso, o projeto incorporou fatores como limitações articulares, percepção visual restrita a tons de azul e amarelo, além da necessidade de consentimento do animal durante o uso. Assim, o botão final tornou-se redondo, convexo, azul, com textura antiderrapante e acionamento suave.
Um futuro que redefine cidades
Atualmente, o design inclusivo para animais inspira novas iniciativas. Após concluir seu doutorado, Ruge fundou a consultoria Ph-auna, focada em inovação centrada nos animais, e passou a desenvolver soluções que fortalecem a relação entre humanos e cães.
Além disso, ela defende que cidades inteiras podem se tornar mais acessíveis a animais urbanos. Portanto, o design inclusivo para animais aponta para um futuro em que tecnologia, bem-estar e empatia caminham juntos.
